VEM2

A NOITE NÃO É TEMPO CALADO
© Ferdinando

No final do dia se abrem janelas para a noite
começam serpenteando os sonhos suplícios
no infindo crepe, a par do indeciso aflorar
onde a maldade grita escondida em cada canto
onde o pecado germina em cada esquina triste!.

É na noite que se vivem horas roubadas,
amores jurados feitos de mentiras, num sacio
onde a tragédia desliza, apoiando a crueldade
emporcalhando vidas feitas de queixumes
como o sol beija a pedra como estátua nua.

É na noite que as promessas se vestem de amor
e a ilusão chega em diagonais que me fere a alma
no negrume onde a maldade vagueia em avidez
no longe, os rios ficam parados no silêncio,
num cismar onde morre o desejo do novo dia.

É na noite que eu me vejo na plataforma do Ser
comovente, no bradar plangente dos pobrezinhos
onde o faminto, e o desnudado no horizonte do anseio
fazem da calçada sua cama, e da sua manta o luar
numa espera onde os sonhos já cansados se repetem
onde o resigno é a dimensão da sua liberdade.

Germany 26-11-06

 

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