A VOZ QUE HABITA EM MIM
© Ferdinando
 
Fecho-me, e dentro em mim,
olho o meu interior e sinto a dôr
remida de silêncio, no meu peito
antro da trajectória das sombras...
 
Olho-me e sinto vazio este viver,
num hoje feito desejo de amanhã...
nas horas que moldam o meu querer
em cada dia, no aloirar das horas.
 
Olho-me como louco em gargalhadas,
como o palhaço no cenário da sua arte
ri para a vida, e chora para si mesmo!...
Olho o outono que em mim habita,
em saudade dos folguedos do passado.
 
Neste poema cabem todas as verdades,
são horas do carpir desta mudez,
onde a prometida luz não chegou a clarear,
nem a vida a albergar este meu sonho,
que ficou no distante de um desejo...
 
Germany 24.11.06