REPUDIO2

CIRANDA - REPÚDIO

LEVE CONSIGO O SELO DE GRATIDÃO

POETAS PARTICIPANTES

1 - Ferdinando

2 - Célia Jardim

3 - Mary Jenny

4 - Anna Peralva

5 - Helô Abreu

6 - Marcial Salaverry

7 - Regina Bertoccelli

8 - José Ernesto

9 - Marcos Sérgio Lopes

10 - Thereza Mattos

11 - Marilza Albuquerque

12 - Lígia Antunes

13 - Lúcio Reis

14 - Cássia Vicente

15 - Penhah Castro

16 - Vuch@

17 - Edvaldo Rosa

18 - Pilar Casagrande

19 - Maria Inêz

20 - Sérgio Guedes

21 - Tarcisio R. Costa

22 - Sandra Reis

23 - Betty

24 - Paulo Silveira Ávila

25 - Ana Clara Ribeiro

26 - Iza Mota

27 - Sueli Espirito Santo

28 - Benedita Azevedo

1 - REPÚDIO
© Ferdinando

 
Para que nascem as manhãs em cada dia
no transparecer da luz que gera indiferença
dos perdidos na abjecção que a vida lhes legou
ecos no espaço vago bradando horas de luz.
 
Que vale o ansiar de outro Mundo, novas rotas
se o ditar do flagelo em constante adversidade
ceifa vidas e sonhos que ficam no vago,
defrauda cada infeliz com montes de palavras
em doutrinas vestidas de promessas mentirosas.
 
O nada vagueia aniquilando a vida dos infelizes
arremessados no sombrio, em qualquer canto
num badalar impuro golpeando o ventre da alma
 emporcalhando os dias ditados em calúnia, num
 olhar rasgando sulcos que assusta cada esquina.
 
Germany 25.04.07

2 - RETRATO VIVO
Célia Jardim
 
No olhar nenhum brilho
apenas o desgosto
pequeno andarilho
sem nenhum porto
 
Desdenha o amanhã
um amanhã que talvez nem haja
ou não seja diferente
deste que agora passa
 
Desce a lágrima presa
confessando toda dor
implorando por defesa
que além do olhar traspassa
 
Revela com censura
a dor deste presente morto
esperando um futuro
sobre este passado torto

3 - RESTOS DA VIDA
Mary Jenny

Resto da vida, pedaços de nada
Onde o abandono é a cama em cada dia
E a calçada fria o seu leito
Sem a luz cintilante do sol ridente.
Esquina onde seres indiferentes se alheiam
Na apatia jogada ao abandono nos infelizes da sorte
Na cruz do olhar vazio, companheiro das estrelas
E da indiferença de cada passante...
Os dias são sempre iguais escavados nas margens
De olhares sem luz, num sonho que ficou no amargo
Dos dias, recebendo cada esquina como herança
Na boca calada sem gemidos, filhos da mentira
Na berma da desgraça.
Germany 08-05-07

4 - O VELHO SÓ
Anna Peralva

Já fui moço, rebelde sem causa,
Vivi o encanto da hora, com futilidade.
Minha carne era tenra e a usava
Nos descaminhos da vaidade.
Minha alma era silente e crua,
No meu caminhar o egoísmo reinava.
Tudo era breve, num efêmero paraíso,
O amor, em mordaças calei...
Usei sonhos, concebi desilusões.
Meus sentimentos, nunca doei,
Achava não ser preciso.
Quantas feridas fui por aí abrindo,
Na credulidade dos vários corações
Onde fluíam pureza e fantasias.
A tudo e todos fui destruindo, desatento...
Usei e abusei da sorte
Num plantio sem terras
Colhi trigo, plantei joio.
Iludindo e iludido
Esqueci a fugacidade do tempo,
Não senti o cheiro da morte.
Perdi-me nas entranhas da mentira,
Sem da verdade ter apoio,
Não percebi pessoas de mim fugindo.
Fui caindo, das alturas aos escombros
Dos meus ledos enganos.
Ser maltrapilho, andarilho...
As sombras obscuras dos meus atos,
Rondam meus arrastados passos.
Perdido o brilho do olhar, em crescente agonia,
Pesa-me os erros aos ombros.
Perambulo pelas ruas da cidade
Recolhendo sobras de comida,
As mesmas que já neguei.
Mendigo algumas moedas
Para saciar a sede, molhar a boca,
Alguns fogem da figura rota,
Como também eu as reneguei;
Outros, por piedade, fazem sua boa ação
Aos que esmolam, à margem da sociedade...
Só, sento-me no degrau da escadaria,
Cansado, sujo, envelhecido!
A matéria se definha em trapos,
Brinquei de viver, quando jovem...
Reflete minha opaca existência
No espelho d’água, quando chove.
Como fui fútil, inconseqüente e tolo!...
Inda guardo um antigo retrato
Para lembrar-me que é vitorioso
O ser simples, humilde e consciente;
Minha voz se cala, tudo é tão distante
Daquela imagem fria e sorridente.
Amargurado em lembranças,
Não tenho como resgatar a magia do instante.
Remexo nas cinzas, espalho do orgulho, o pó...
Desce a noite sobre o dia,
Num outono desprovido de esperança
Na solidão escura e fria
Chora um velho pobre e só...
BRASIL/2007

5 - MUNDO IRREAL
HELÔ ABREU

Olho para os lados nada me parece real,
nada tem vida própria.
Estou num mundo que não conheço,
que raio de mundo é este
que até nem eu conheço a mim própria?!
Que raio de mundo é este
que não tem respostas para nenhuma das minhas perguntas?!
Saio para a rua,
Atravesso caminhos
por onde nunca tinha atravessado.
Porque é que todos me parecem becos sem saída?
O que será estranho?
Serei eu?
Serão eles?
Ou seremos os dois?
Não tenho lembranças de nada,
A minha mente está vazia,
Capaz de pensar que 1+1 são 3 !
Quero desaparecer,
Quero evaporar-me,
Mas não posso!
Tenho que ficar aqui,
Presa neste mundo desconhecido,
Sem caminhos,
Nem respostas.

6 - EM DEFESA DE UM TRABALHADOR
Marcial Salaverry

Antes de nos queixarmos do que nos acontece,
é bom olhar pra trás, e ver que sempre haverá alguém,
em piores condições, sofrendo mais...
No meu entender, de nada serve nos revoltarmos
com as coisas que acontecem...
Elas são assim desde que o mundo é mundo...
Sempre uma minoria consegue viver
com conforto e uma maioria padece...
Podemos nos condoer, mas não adianta se revoltar...
Não podemos resolver essa situação...
e conosco temos uma obrigação,
que é o de nos cuidarmos convenientemente,
dentro de nossas possibilidades...
Não temos culpa da miséria do mundo,
e não a vamos resolver...
Portanto, a vida continua, e precisamos viver...
E para isso o melhor devemos fazer...
Cada um deve fazer sua parte...
Se o atendimento é deficiente,
é porque não existe pessoal eficiente...
Não se esqueça de que o pessoal
que os atende também é mal remunerado,
e vive ferrado...
Enfim... Essa é a situação, e de nada adianta brigar,
e muito dificil de modificar...
Infelizmente as coisas são assim...
Claro que devemos ao menos protestar até o fim...

7 - LAMENTO
Regina Bertoccelli
 
 Ah, quanta tristeza, quanta dor ao ver
você, pequena criança, com seu rosto angelical,
mas inexpressivo, perdida pelos caminhos da vida
Olhos tristes, sem brilho, que se fixam no horizonte,
 na esperança vã de ser tratada
como ser humano, com dignidade e respeito
Anseios e sonhos apagados,
risos contidos, mãos vazias e pés descalços,
mas esperançosos em sua luta por
um pequeno espaço neste mundo tão grande,
mas cheio de injustiças e diferenças
Uma realidade lamentável que aperta meu coração,
 inundando-o de tristeza e angústia
Que Deus derrame suas bençãos sobre essas
pobres criaturas e ilumine o coração dos insensatos
Que assim se faça!

8 - FOME E SOBREVIVÊNCIA
 José Ernesto Ferraresso
 
Eles procuram detritos no lixo para sobreviver,
Fazem de tudo, até brigam para comer,
O tempo passa , vê seus filhos definharem,
Vê as lágrimas em seus rostinhos tenros rolarem.
 
São mendigos à procura de novos lixos,
São humanos , muitas vezes comparados com bichos,
Esse é retrato que nos mostra o nosso país,
Que faz com que o pobre não viva feliz.
 
É um lutando pelo espaço do outro,
Sai um e logo chegam os outros,
São paupérrimos que gritam bem alto,
Mostrados jogados em sarjetas, deitados nos asfaltos,
 
F  ORÇAS ELES NÃO TÊM MAIS PARA AGÜENTAR,
O  ÓDIO NEM AO MENOS SABEM MOSTRAR,
M  EDO É O QUE MAIS OS ATRAI,
E  ESPERANÇAS, NÃO PENSARÃO JAMAIS
 
 SERRA NEGRA

9 - AO LÉU
Marcos Sergio T. Lopes

Vida suja
Vida nua
Vida minha...
Frio profundo
Espalhado pelas noites
Em caixas vazias!
Viajante sem teto
De rotas vestes
De odores mil
Perdido em seu desvario
Por vezes imundo
Carregando o mundo
No silencio do seu olhar.
Vai caminheiro
De amarguras mudas
Enxuga tua lágrima
Levanta pra mais um dia!
É tempo de saciar sua sede,
Matar a fome que te consome.
Lança tua mão ao amar
Graceja um sorriso
E começa a esmolar...
Reze pra que a sorte esteja perto de ti
E que não te abandone.
Junte moedas pela vida
Junte as dores também
Mais um dia que te convida
E outro que logo vem.

 09/05/2007

10 - REPÚDIO
 Thereza Mattos
 
Dia triste, sem claridade
cinza como a morte
plena de feios muros
ou talvez como a sorte
de quase toda a humanidade
no presente ou no futuro....
 
Caminhando para o abismo
sem fé ou esperança
disputando migalhas
pulando muralhas
para a noite, que é eterna
abriga-lo do frio intenso
com um amor imenso
que as vezes até arde
ainda procura a casa paterna
mas agora já é tarde...
 
Carrega nos ombros uma cruz
pesada para seu corpo esquálido
vestindo apenas farrapos
lágrimas no seu rosto pálido
que por ironia, lembra Jesus
leva embrulhado seus trapos
um cão sempre ao seu lado
para lamber suas feridas
e compartilhar sua vida...
 
Um dia ele foi gente
 hoje está muito descrente...
por fim encontra um lugar
para seu corpo descansar...
 
Estende seu cobertor, abraça o cão amigo
 que nunca o abandonou
porque a vida tanto os maltratou ?
dividem a fome, a sede de carinhos
ele vai tentar dormir
amanhã é outro dia
eles terão que seguir
trilhando os mesmos caminhos.....

11 - CONCLAMAÇÃO
(Carvalho Branco)

Repúdio os lamentos de quem sofre.
Se o sofrer é parte da aprendizagem,
O que se aprende, armazenado em cofre,
É bagagem da próxima viagem...

O lamentar só nos destrói saber,
E nos impede de mais passo dar,
Ir adiante, no evoluir, viver...
Fechar os olhos pra doar, amar...

O que se vive hoje, é o que escolhemos
Antes da descida ao Planeta Terra...
Nessa esperança de que conquistemos
A perfeição e a liberdade eterna!

Conclamo: unam-se nessa empreitada...
Se aqui viemos para ser irmãos,
Seja de dia, na noite ou madrugada,
Abram sorrisos, apertem as mãos!...

12 - AO MAL, TODO O REPÚDIO
Lígia Antunes

Repúdio à desídia, à indiferença
à ausência de compaixão por nosso irmão;
repúdio à insensatez, à inveja, à cobiça
à dissimulação a afetar qualquer razão!

A vida não existe para o mal
tampouco para ser coisa banal;
se hoje impera a ordem do pior
façamos nossa luta ainda maior!
 
Se a usura destrói os ideais
e não traz ao indivíduo nada mais,
sejamos fortes ante os vendavais
refaçamos o gesto de amor nesses anais!

Se tudo que se vive tem sentido,
não vale o repúdio ao desvalido;
é ele um ser humano ao desabrigo...
Tornemo-lo para nós um novo amigo!

Pelotas, RS,10.7.07 13h40min

13 - INCOERÊNCIA
 Lúcio Reis

Quando vejo a cada esquina a mão estendida de criança
Uma folha de papelão o colchão, sobre o qual ela dormirá
Ao amanhecer sem café matinal para lhe alimentar
Deixando de ir a escola à estudar, do amanhã, cadê a esperança?
 
Ao saber que milhões são desviados da educação
E que no presente é que se planta o amanhã
Fico a imaginar o enorme desnível social em ação
Quando o frio chegar e a maioria sem agasalho de lã
 
Quando testemunho a fortuna gasta com a visita do clero
Todo o aparato de segurança e tantos escudos na pública via
Penso que a ser salvo não é o espirito mas, a mordomia
E que o evangelho e Dele a pregação, tudo lero, lero
 
Dentro do livre arbitrio e do coerente entendimento cristão
Basta viver na humildade e a igualdade pregar
Respeitando o semelhante e sabendo ser ele um ente impar
E por certo todos alcançarão viverão na eterna salvação

Belém do Pará-Brasil
10/05/07

14 - REPUDIADO
Cássia Vicente
 
 Diante da vida se sente repudiado
perante sua face estremece de pavor
quando se olha no vidro sujo e
mal consegue ver seu rosto desfigurado
pela amargura de viver nas ruas...
 
Um dia foi homem de bem
as desventuras o levaram à sarjeta
o desamor o levou a bancarrota e
hoje perambula sem rumo
dorme em qualquer canto...só...
 
Seu próximo?...ele tem?...
alguém que o olhe com pena?...existe?...
ele só recebe cara feia e recusa...precisa?...
onde está a caridade?...esquecida?...
deixada de lado como ele
 jogada na lama pelo preconceito descabido?...
 
Jataí.GO
11.05.07

15 - REPÚDIO
by Penhah Castro

Repúdio para as injustiças da vida
das quais sinto-me impotente
pois , cuido de viver meu presente,
com meus desafios para cumprir....

Repúdio para a violência
que surpreende sempre a minha emoção
que nunca vai compreender a razão
da maldade ocupar o lugar do BEM....

Repúdio pela ausência do amor
em tanto coração sofredor
que já desistiu de viver
ao sinal da primeira dor...

Mas minha mente recusa
a compreender tanta loucura
e, prefiro ajudar
a quem queira me escutar....

16 - DESESPERANÇA...
 Vuch@

Quando você não puder mais
olhar estrelas, fazendo pedidos,
quando você esquecer seus olhos,
no horizonte, vazios, perdidos...
E a vida sem querer parar,
teus sonhos todos sem querer vendidos!
E a paixão não mais te possuir,
o gêlo possuindo teus ouvidos...
Quando sem querer você se esquecer
de se lembrar do prazer dos sentidos;
e ficar, impassível, a olhar
dois amantes num abraço esquecidos...
E a descrença bater na sua porta,
fazendo o coração bater desprotegido,
enrolado em gesso, como uma estátua,
batendo totalmente endurecido.
Voce estará só: e a vida te dará,
na tua solidão, teu destino cumprido!

¿!\Vûchynh@®
http://br.geocities.com/intensa2006_br/index.htm

17 - REPÚDIO...
Edvaldo Rosa

No tempo em curso
há irmãos que caminham pari-passo conosco,
perdidos...
Crianças conosco se chocando
nas esquinas da vida,
a procura de um naco de pão
uma ajuda um abrigo!
Velhos que morrem em filas
e filas de novos homens á procura
de sustentação!
No tempo que corre
rumo a consumação
os sentimentos vivem perdidos,
escondidos em cantos obscuros do coração!
As mãos já não estão estendidas...
Os abraços veem-se recolhidos...
Temos medo até da própria sombra,
e assombra-nos cada pessoa estranha
que nosso olhar espreita nas esquinas... A nos espreitar!
È tudo répudio e abandono!
Estamos sozinhos,
cercados por solidão por todos os lados...
Somos homens feito ilhas...
Cercados por outros homens ilhados!
Quero abandonar meus medos, minhas sismas...
Abrir sorrisos a todos os passantes
que passam comigo esta vida!
Mas estão tão a flor da pele meus medos...
Que só faço chorar!
Estão tão á flor da pele minhas sismas que só faço sismar!
E recolho meus braços, recolho meus sorrisos...
Que passo a repudiar meus sonhos...
Mas meus sonhos não querem se calar...
Repudiemos tanta solidão,
todo o medo!
Abramos o coração,
escancaremos a alma,com calma,
com amor á vida!
E esperança!
Repudiemos as mordaças,
as correntes, os medos e desesperanças...
Para que assim tenhamos futuro...
E possamos dá-lo pros nossos velhos, antes que morram,
pros nossos jovens antes que virem bandidos,
pras nossas crianças, nossos filhos, antes que virem orfãos
ou nos semáforos, mendingos!

WWW.SACPAIXAO.NET
13/05/2007

18 - INJUSTIÇA
Pilar Casagrande

Onde há pessoas há o que cobiçar.
Não há o que impeça ou desimpeça
Tudo que a má malícia quiser enliçar.
Os poderosos tomam a decisão,
Em nome do povo indicam a direção.
Pertence à cúpula qualquer solução,
Mas sempre quem sofre é a população.
O que importa é a autoridade,
Cujo preço é sempre a desumanidade.
De ninguém têm eles piedade,
Devastam cruelmente qualquer cidade.
Há muito tempo que a paz é desejada.
Muitos tentaram e não conseguiram nada.
Toda trégua é breve e sempre quebrada.
Sem amor, a PAZ nunca será alcançada!

www.clirc.com.br

19 - REPÚDIO
Mifori

A falsidade
Em qualquer situação.
O desrespeito
Em qualquer idade.
A falta de compaixão
Das autoridades,
E o descumprimento
Da legislação,
Que o próprio homem fez
Pra melhorar...
A vida em sua Nação.
(SJC: 14/05/07)

20 - INGRATIDÃO
Sérgio Diniz Barros Guedes

O cobertor do esquecimento
aquece este ser
que luta pela vida
suplicando a você,
pela morte da despedida
que não cura sua ferida
do abandono pela família,
sem plano, sem vôo de vida,
o silêncio vazio,
penetrando em sua alma,
não ameniza sua dor
nem mesmo o ar quente,
emanado pelo cobertor.
Não compreendo, não compreendo...
Subtraio da terra os ingratos,
que por mágoa esvai,
um dia foste homem,
um dia foste pai.

http://br.geocities.com/sdbguedes

21 - REPÚDIO - FRUSTRAÇÃO
Tarcísio R. Costa

Quando, no silêncio da noite,
Mergulho desconexo,
 Nos meandros do meu interior,
Sigo pelo desvio da rota do meu pensamento,
Quebro a rotina do rastro das minhas idéias,
Adoto um rito entremeado de conflitos,
À cata das magias que enfeitam
Os meus sonhos...

Advém às sendas,
Os óbices da negritude que se interpõem
A bloquearem o túnel do desconhecido,
Aos quais minhas metas atingir,
Se propunham...

 Nesse emaranhado de contra-sensos
Exaurem-se o poder de pugnar...
Desperto maculado pelo desapontamento,
Na frustrada tentativa de sentir
A magia dos sonhos...

A vida continua com meus sentimentos
Vividos e praticados
Sem nunca, no entanto, sentir-me imune
Aos dardos da detração
Da ignóbil invídia
Que corroem,
Destroem
Os sentimentos,
Ao interporem os caminhos
 da ilusão.

22 - O VELHO
 Sandra Reis.
 
Ele era velho. E estava sózinho,
 sentado num quarto de Hospital.
 Olhar vago, ar inocente,
 arrastava dores.
 
 Ia driblando a vida,
 até perceber que o tempo
 é como areia de praia perdida.
 
 Não importa se era velho.
 Vi risadas, vi encontros,
 eu o vi correndo, brincando...
 
 Eu vi chama, vi bondade,
 vi vigor, sinceridade.
 Eu vi luz nesse menino.
 
 E entre dúvidas e certezas,
 da sua hora final,
 recolhe a sua criança,
 recolhe seus pesadelos,
 recolhe suas lembranças,
 recolhe todo o vazio.
 
 E enfrenta a sua sorte,
 sabendo que o jogo termina
 com a presença da morte.

23 - CON MUCHO CARIÑO
 BESOS DEL ALMA BETTY
 
"Es verdad que el mundo no se limpia de guerra,
No se lava de sangre, no se corrige del odio.
 Es verdad. Pero es igualmente verdad
Que nos acercamos a una evidencia:
Los violentos se reflejan en el espejo del mundo
Y su rostro no es hermoso ni para ellos mismos.
Y sigo creyendo en la posibilidad del amor.
 Tengo la certidumbre del entendimiento
Entre los seres humanos,
Logrado sobre los dolores, sobre la sangre
Y sobre los cristales rotos"
 
 Del libro
"Confieso que he vivido"
Pablo Neruda


24 - FRAGMENTOS DE REPÚDIO
Paulo Silveira de Ávila

À beira do cais, no final da tarde de verão,
arma-se uma tempestade,
no rastro dos mesmos ventos a cidade se vestirá
de uma luminosidade escura e estranha,
que vinda dos céus para derramar a chuva.
Nas casas cobertas por limo e fumo,
pessoas rezam angustiadas roídas pelo medo,
entorpecidas, solitárias, distantes, sem ideais,
vagam só esperando uma benção dos céus
com a barriga cheia de fome e coração carregado de
esperança que aconteça o breve milagre da salvação.
Essa gente sofrida não canta a canção dos iguais,
ficam a ver navios tripulados por palavras de tédio
só perceptível no seu calendário que não muda,
ante seus olhos marejados de tristezas.
Repúdio vocábulo roto na boca, sem comida,
sem armas, fé, versos e forças para gritar o sonho
da liberdade que somam milhares na multidão.

25 - REPÚDIO
Ana Clara Ribeiro

Faça-se
Repúdio aos preconceitos
De pensamentos férteis,
Grandiosos...
E nos egoísmos
Geradores da escravidão do ser
E,também, da alma alheia
Que, em torpes atitudes de soberba,
Propulsora das injustiças,
Subtrai dos desvalidos
Até mesmo o direito de sonhar.
Repúdio ao preconceituoso,então,
Que em poderes revestidos
De fúteis fantasias
Tem empedernido o coração,
Inconseqüente e roto e desumano...
Um coração, que é
Das adversidades, um comparsa...
Das desventuras...o cúmplice
Ceifador de dignidades e
Urdidor de atrocidades,
Cujos alicerces sustentam
Cobiças
E violências,
Flagelos
E pleno desamor...
Faça-se, pois,
O REPÚDIO!

26 - PORQUE
Iza Mota
 
Me pergunto porque de ser
um ser de cruel sofrer
nesta vida lânguida a perecer
 
Me pergunto porque ter
farrapos ao corpo aquecer
se n'alma o amor não vai tecer
 
Me pergunto porque viver
na vida um resíduo de ser
arrastando-se pelos guetos sem querer
 
Iza Mota - Recife PE
www.izamota.recantodasletras.com.br

27 - MINHA REPULSA
Sueli do Espírito Santo
 
Por tantas mentiras descabidas
por tantas verdades não vividas
pela angústia sempre crescente
gerando humanos circunspetos
 vagando como seres sem tetos
a beira de um caos tão eminente
 
Diante um mundo já deplorável
meu ser está todo inconsolável
em meio a versos com rebeldia
cansada de tamanha confusão
estou perdendo a minha ilusão
pois a poesia tudo isso repudia
 
http://www.c.recantodasletras.com.br

28 - REPÚDIO
Benedita Azevedo

Repudio esta falta de estrutura
existente nas grandes sociedades.
Crianças descuidadas e sem teto
serão estes adultos desprezados
pela falta de sorte e de afeto.

Lares sem estruturas multiplicam-se
em proporção geométrica e assim,
inchada, a sociedade se perdendo;
governos incapazes de conter
esta demanda atroz se sucedendo.

Somente a educação transformará
esta situação, se preventivas
medidas as gerassem os governos;
levando aos cidadãos capacidade
de a família prover, sem meios termos.

Sentir-se-iam fortes e teriam
na auto-estima aliada companheira,
que os impulsionariam para frente,
cuidando de uma vida organizada,
sem se tornar assim, esse carente.

Sem oportunidades e trabalho,
por falta de estrutura organizada,
muita gente se entrega ao desalento;
acha mais fácil e cômodo ficar
assim, desprotegidas ao relento.

Somente educação junto ao trabalho
serão capazes, sim, de operar essa
 mudança e garantir a toda gente,
a todo cidadão organizado,
uma família simples, uma vida diferente.

Praia do Anil, Magé-RJ
16 / 04 / 07

 

LIVROVISITAS