Ferdinando

CIRANDA

MEU RETRATO

POETAS PARTICIPANTES

1- Ferdinando Fernandes

2- Raquel Caminha (Lindinha)

3- Tarcísio R. Costa

4- Lara Cardoso

5- Benardino Matos

6- Sávio Assad

7- Gaivota

8- Ange

9- Fernando Reis Costa

10- Lúcio Reis

11- Célia Jardim

12- Augusta Schimidt

13- Deleniralmeida

14- Denise Aidar Warnecke

15- Regina Bertoccelli

16- Mercília Rodrigues

17- Edmilson Alves

18- Angela Maura

19- Mário Osny Rosa

20- Joaquim Marques

21- Orlando Caetano

22- Maria Regina M. Ribeiro

23- Manuel Jorge M. de Lima

24- José Ernesto Farraresso

25- Rosa Arouck

26- Marcial Salaverry

27- Malu Mourão

28- Faffi

29- Ene Mathias

30- Gislaine Canales

31- Rosa Silva

32- António Cícero da Silva

33- Wilson Fonseca

34- Gildina Roriz (Magy)

35- Ligía Antunes Leivas

36- Maria Chica

37- Sá de Freitas

38- Luiz Poeta

39- Roberto Coutinho da Motta

40- Maria Loussa

41- Diógenes Davanzo

42- Susana P Kovalczuk

43- Hiram Câmara

44- Joyce (Lu@)

45- Luiza Soares

46- Arethuza Viana

47- Elaine Ermel

48- Margaret Pelicano

49- Mary Jenny

50- Madá

51- Elizabeth Assad

52 - Márcia Possar

 01- MEU RETRATO
©Ferdinando

Quando te fito, a saudade se senta a meu lado
e olhamos juntos a sombra do meu Ser
amarelecido pelo tempo, e vencido pelos anos
cavando em mim as rugas que moldam este rosto
numa mágoa, que ficara num esboço evasivo
num clamar de voz enrouquecida pela tormenta
só me fala agora, outra linguagem retractada em ti...

Vejo-me pálido, como o papel que fora outrora
colorido, nos verdes anos tão distantes que recordo
ainda, na saudade da poeira dos tempos que a vida não
alcança nunca mais, na trajectória de discursos mudos...
como o florir primaveril, que só me visitou para seguir
em horizontes de ilusão, e em punho de raiva!

Sou a vida no nascer do outono na fantástica noite
que atraiçoa sem palavras este meu Ser na nudez
que me arremessou na selva de cimento oblíquo...
serpenteando a vida ilusória que atanazou meus dias!...
Sou este retrato em sombra do passado, num tempo
de cinza da fogueira que aqueceu este meu sonho.

Germany 07.12.06
 

02- RETRATO ANTIGO
Raquel Caminha
(Lindinha)

As lembranças do passado, sonhos fantasiados,
reflexos de uma vida feliz.
Em uma foto são retratados, uma fotografia antiga,
reporta reminiscências,mantém viva as lembranças,
retrata nossas vivências.
Ela reproduz cenários, traz para o nosso ambiente,
datas marcadas em calendários, e apesar de desbotadas,
sublima o amor da gente.
Ela transmite a sinceridade, a pureza e a lealdade,
de tempos marcados por bondade.
Os rostos refletem, as asperezas da vida,
as incertezas do amanhã, e o ardor de cada lida.
São recordações valiosas, que a gente guarda no peito,
de amizades, amores, que passaram, e não voltam, não há jeito.

Fortaleza, 14 de maio de 2005
 
 
                                                    
 03- RETRATO
(Tarcísio R. Costa)

Encontrei nos meus alfarrábios
Um pedaço do meu passado,
É um retrato antigo,
Já amarelado, mas intacto...

Como hoje, mostra um olhar de tranqüilidade,
Mas, já com vestígios de saudade...
Olho-me no espelho, comparo-me
No ontem e no hoje,
Vejo no retrato, a verdade.

Nele eu era apenas mais jovem,

Porque nada mudou na minha alma.
Não importa para mim o que ficou,
Continuo a amar a vida, a acreditar,

A ter esperança, a ter amor.

O que vem à minha mente, do passado,
São flashs de um viver, que me enternecem,
Nada do passado me entristece,
Apenas, sinto saudade.

Uma forma de reviver a felicidade
É sentir a natureza tem as mesmas cores,
É saber que eu amei e tive muitos amores
E que eles fluem minha saudade.
 
04- TEU RETRATO
Lara Cardoso

Fora de foco, teu rosto invade meu pensamento
como lembrança de um dia que se foi
e jamais voltou
Emolduro a suavidade de tua boca
e capturo ainda o franco sorriso
que não cai no esquecimento...

A imagem parece viva
ainda que o tempo a tenha feito apagada,
e guardo em mim o negativo
como o barco que fica à deriva,
em busca da paz, para o coração cativo;

Ainda fecho os olhos tentando não vê-la,
mas fica em mim como fita adesiva
e aparece estampada
tal como o brilho de uma estrela
iluminando minha madrugada,
como se fosse foto recém tirada
de um amor que não terminou...

Brasil
10/12/06
 
 
  05- A FOTO QUE PUDE COMPOR!
Bernardino Matos.

É muito comum se dizer,sem compromisso,
como eu gostaria de 20 anos a menos ter,
com a experiência que adquiri, como se isso,
mudasse alguma coisa, nesse nosso viver.

O meu retrato de agora reflete minhas vivências,
que eu as repetiria, pois o que sou agora,
o cansaço estampado é a soma de minhas anuências,
do que eu pude viver, eu repetiria meu outrora.

Meus erros, minhas falhas, minhas ilusões,
são trechos de minha história, da realidade,
que pintou no meu caminho, das emoções,
vividas, dos amores tidos, de minha verdade.

Hoje, não tenho do que reclamar, o retrato,
está envelhecido, mas a alma não, o desafio,
é o mesmo, se me sinto abandonado, relegado,
a um segundo plano, são águas do mesmo rio.

A paixão é a mesma, a vontade de empreender,
continuam presentes, inclusive sua intensidade,
a diferença está nas mudanças normais do viver,
o brilho do olhar, o desejo, estão de acordo com a idade.

Dizia um amigo meu, professor da Universidade,
cercado de jovens lindas, meigas, afetuosas,
a vida é sábia, o coração muda de velocidade,
as limitações são sentidas no vagar, são carinhosas.

Portanto, quando me olho no espelho, envelhecido,
não tenho aquele surto de saudade, não importa,
uma ruga a mais ou a menos, ou o tempo vivido,
amores passados, recordações,tiveram sua porta.

O amanhã, o tempo que resta viver , não desbotarão,
meu retrato, a amplitude do meu sorriso, seu alcance,
estão na intensidade do meu olhar, na qualidade da emoção,
o restante do caminho será de alegria, não de revanche.

Eu tenho a cultura que pude adquirir, as filhas que pude ter,
a fotografia que pude compor, nunca lutei por riqueza,
sempre me importou o amor, a entrega, o enternecer,
a felicidade está dentro de minhas limitações, não há tristeza.

Fortaleza, 10 de dezembro de 2006.
 
 
  06- A FOTO.
(Sávio Assad)

Enviei minha foto a você e recebi de volta,
Minha felicidade foi tanta ao enviar-te que,
Não esperava recebe-la de volta,numa conta
Inativa e parada no tempo, como nosso amor.

Não sei o que dizer, mas fiquei triste. . .
Uma dor subiu ao meu peito, não deixando
Respirar, olhando perplexo a tela imóvel,
Implacável e terrivelmente fria a gelar meus olhos.

Lagrimas brotaram caindo em meu colo
Minhas mãos se negavam deletar o e-mail
Minha cabeça relutava para entender
Onde você esta, por onde gritar seu nome?

Cambaleando, levantei e segui para o silêncio
Sombrio e tenebroso do meu quarto solitário
Sombras a me gritar... Ela partiu, ela partiu.
Num estalo contínuo abri o msn, e você sumiu.

Niterói - RJ - 07/11/2006

 
 07- APENAS UM RETRATO
©Gaivot@

Foi amarga a experiência que me levou dias de alegria
Nostalgia sem fim em ápices de loucura
Um tal de fazer e desarrumar as malas
Que abalou-me a vida já toda sem estrutura

Nada restou-me além de uma simples moldura
Pedurada na parede fazendo vistas à rua
Onde passantes podiam se deleitar olhando
A tua imagem no retrato e a minha vida nua

Nua de amor, nua de vontades
Nua de prazeres, nua de cantares
Tristemente iludida, perdida no vai e vem dos dias
Contados alucinadamente, acreditando que virias

Noites perdidas em pensamentos fogosos
Madrugadas inteiras a construir castelos
Ideia fixa de um amor sincero
Hoje apenas um retrato a relembrar flagelos

Deixo-o alí, bem exposto aos passantes
Não te esqueci nunca, nem por um instante
Ficou sozinho na moldura velha
Pois a olhá-lo tua crueldade me revela.

Eliana Braga
Gaivot@
10/12/06
Campinas/SP/Brasil
 
 08- OLHANDO TEU RETRATO VI O MEU.
ANGE

Olhando teu retrato vi o meu,
lembranças de um passado feliz
de sonhos sonhados,fantasiados
nenhum realizado ....

Olhando teu retrato junto ao meu peito apertei,
chorei de saudade um amor que foi meu.
Hoje tenho rugas que o tempo deixou
por chorar um amor que se foi...

olhando teu retrato olhei o meu também.
ja amarelado pelo tempo ficou.
Retrato repleto de outonos, sem o sol do verão,
sem flores da primavera
apenas o vento frio outonal anunciando
que o inverno esta chegando...

Olhando teu retrato ja amarelado,
vi o meu e chorei !

Ange dans la Veritable
@NGE
Brasil
 
 
 09- O TEU RETRATO
Fernando Reis Costa

Olho o teu retrato...
Nele vejo um rosto meigo e doce;
Um sorriso de farta formosura!
E nos teus lábios relembro a doçura,
Com desejo louco por um beijo
Lembrando o tempo ido, de ventura!

Olho o teu retrato...
E...ao olhá-lo suspiro e solto “ais”...
Como criança que chora por seus pais
(de amor carente, triste, abandonada!...)
Ao ver o teu retrato, sinto, enfim...
Que ser feliz, assim, era demais!

Olho o teu retrato...
Quanta saudade, quanta emoção
E hoje, e amanhã, e sempre,
Num eterno e sepulcral silêncio!
Nele vejo que a força da razão,
É vencida pelo sentir do coração!...

Portugal-10.12.06
 
  10- RETRATO ANTIGO
Lúcio Reis

Olho-me na moldura e fico pensativo e interrogando,
pergunto-me: o que os anos a mim fizeram?
Sulcos em minha face colocaram quase tudo estragando,
mas de lá de dentro vem a resposta compensadora,
a explicar e a tudo justificar,
dizendo-me que a trilha foi e é de gloria,
amigos juntei e com isso para um mundo melhor uma obra iniciei.
Os cabelos grisalhos, como à época dos gregos,
são fios de louros, de uma especie rara,
pois branca e não verde, que o Deus do tempo
nos coloca sobre a cabeça,
para dizer-nos que quase já estamos
concluindo a faculdade da vida.
Olhando outra vez o retrato antigo,
percebe-se nitidamente que aquela insegurança da mocidade,
foi desaparecendo com o avanço da idade e,
que a pedras e tropeços no caminho,
formaram cicatrizes que foram substituidas
por dias felizes
As realizações e conquistas,
principalmente aquelas relacionadas com o sentimento
da paixão e de competência do coração,
agora já concretizadas são o diploma a ser
emoldurado e na parede colocado ao lado do
retrato antigo, para finalmente fazer-se a comparação:
trilhei a estrada da vida, amigos encontrei e os mantive,
vivências troquei, paixões e devaneios,
ilusiões e desilusiões foram ingredientes que me
transformaram para que hoje afixe na parade um atual
retrato que amanhã, quando meus netos olharem,
dirão:O Retrato Antigo do vovô.

Belém do Pará
08/12/06
 
 11- BAU DE RECORDAÇÕES
Célia Jardim

No armário, tantos papéis antigos, fotos amareladas
quem neles toca, nada sente, nada vê, não dizem nada
só eu posso sentir em cada um, um pedaço de uma história
coisas que um dia sem que eu queira podem se esvair da memória

Guardados com carinho, amarelecidos pelo tempo já passado
emoções, que voltam enternecendo um coração cansado
lágrimas impressas que eu não pude ou não consegui evitar
umedecendo cada pedaço de papel, que o tempo não pôde secar

Páginas de uma vida guardadas no baú do tempo
são só restos esquecidos de uma vida ida
que eternizaram cada dia, cada momento
de uma história que nunca poderá ser repetida

É minha única riqueza, uma vida de lutas e sacrifícios
os amores que vivi, as saudades que guardei
fotos são fatos que não se perdem no tempo
fotos é um espelho, onde talvez antes, não me olhei

Cada uma traz uma lembrança, uma saudade
hoje, muitas nem parecem me retratar
talvez porque o destino assim preferiu
deixar apenas uma marca em meu lugar
 
 
 12- UM RETRATO...
Augusta Schimidt

Vida louca...
Longe fui em pensamentos
Deleguei meus sonhos
E você não entendeu...
Paixão irreal
Vontade mortal
De te abraçar

Criatura insana sou eu!
Como pude por um retrato me apaixonar
Agora, só me resta lembrar,
Daquele olhar que tudo diz
E que por momentos me fez feliz

Sonhos desfeitos
Ilusão perdida
Noites mal dormidas
Doces lembranças guardadas na saudade

Lágrimas banham-me a face
Amargas... Com sabor de desilusão
Retrato guardado para sempre
No fundo do meu coração...

Campinas/SP/Brasil
 
  13- MOLDURA NO RETRATO
Deleniralmeida

Em minha sala de estar,desde menina,
Aquela foto na parede era tão grande
Que na maioria das vezes,
Me assustava muito!
Sequer podíamos tocá-la !

Era uma fotografia antiga,
Mas nem mesmo sei,porque
Incomodava tanto !

Acho que era grande demais
Para meu tamanho de menina,
Naqueles dias passados...

Todas as manhãs, nós, as
Crianças,tínhamos o sacro
Dever de lustrá-la,trocar um
Copo com água já ali por
Dois dias!

Acendíamos também
Uma vela e as flores antigas,
Eram trocadas por novas
E frescas,colhidas do nosso
Jardim!

Cresci formatando em minha
Mente, a imagem daquele homem
Austero e de barbas brancas,
Usando gravatas "borboletas".

Deixei a fazenda aos quinze
Anos de idade,porque desejava
Muito estudar e ali,não havia a
Menor condição!

Apenas completávamos o
Só fazíamos o primeiro grau,
Mas pouco resolvia!
Na cidade,eram feitas novas provas
E exames,para saber em que período
Escolar poderíamos ser matriculados!

Era nesta época,que padecíamos no
Rio de Janeiro,um racionamento após
Guerra,gerando discórdias políticas e
Desencadeando muitos transtornos aos
"BARROSO" de Ponte Nova,
Recém chegados ao Rio.

Ao avistar meus avós,
Na Praça Mauá,
Rio de Janeiro,depois de longos
Meses navegando
Estavam muito
Assustados ainda!

Estavam ladeados por seus
Dezessete filhos,pois do vinte
Que tiveram,apenas aqueles
Conseguiram sobreviver às
Doenças importadas naqueles
Tempos tão difíceis!

Pobre vovó CAROLINA,minha
Eterna heroína!
Trazia em sua algibeira,
Apenas alguns trapos velhos,
Porque seus documentos,
Não tinha mais !

Meu avô JUCA,estava tonto
Ainda,tirou o velho chapéu e
Mostrou seu sorriso vazio,
Totalmente sem dentes!

Usava calças de riscado,
Vovó,vestido de chita,
As crianças, roupas de
Retalhos aproveitados!

Meu pai aproximou-se.
E abraçou fortemente
Meus avós naquela hora!
Ladeou as crianças com
Seus fortes braços,

E os levamos,todos,para
Nossa casa.Lá viveram,
Até a morte
De cada um deles!

Foram exemplo para os
Filhos e netos,pela grande
Retidão de caráter e força
Para o trabalho,ajudando
Uns aos outros, formando

Uma grande família!
Meus tios,saíram todos,
Trabalharam,casaram,
Estudaram!

Uma noite,tomei coragem
E perguntei à minha vó :
_ Quem é aquele homem que
Estava colado na parede de
Sua casa,

E que você carregou
Nos braços até aqui,
Deixando-o encostado
No chão do quarto,

Com o rosto virado pra
Parede?quem é ele vovó?
Ela olhou meus olhos bem
No fundo, e apenas
Respondeu:-filha,aquele

Retrato na parede,com flores,
Água fresca,uma vela sempre
Acesa,é o MEU AVÔ !

É Ele,o responsável por estarmos
Todos juntos aqui,porque criou
E educou seus filhos,

Todos eles,
Inclusive meu pai,meus tios
E conseguimos
Atravessar as dificuldades
Que sofremos ao chegar aqui!
Trouxe-o comigo,
Porque quando nada der certo
Em minha vida,falo com ele e
Sempre ouço uma resposta!

Quando deixares esta casa,
Levarás contigo,
A foto emoldurada de
Seu bisanô, porque ele
Há de transformar seus

Espinhos, em perfumadas
Rosas no seu jardim da vida!
Um dia, também entenderás
Toda esta devoção!

Vó, eu já conheci
Esta devoção
E todos os seu motivos!

A foto de nossos ancestrais,
Foi para um museu na serra,
Lugar onde tudo começou...

Ano de 2005.
 
 
  14- MOLDURA
(Denise Aidar Warnecke)

Bordas metalizadas
Detalhes amadeirados
Apenas enfeitam imagens

Um rosto
Em meio a tantos
Faz-me sentir novamente
Emoções desencontradas
De um encontro desencantado

Meu retrato
Junto a outros
Disfarça minha tristeza
 
 
  15- TEU RETRATO
Regina Bertoccelli

Uma linda moldura dourada
envolve teu retrato antigo
Já amarelado pelo tempo,
mas que conserva ainda
teu lindo sorriso

Acaricio com ternura teu rosto,
tentando imaginar se ele ainda
guarda os mesmos traços,
a mesma beleza

Teu olhar que sempre me fitava
com desejo e carinho,
ainda possui um brilho e cor
que o tempo não apagou

Na noites insones e tristes,
é tua imagem que me faz companhia
Abraçada ao teu retrato,
acalmo minh'alma inquieta

Saudosas lembranças de um
tempo distante, chegam trazendo-me
a certeza de que meu amor por ti
ainda vive em mim...

São Paulo / Capital
 
 
  16- NUM RETRATO
Mercília Rodrigues

Num retrato, o sorriso ,
de um tempo que já voou,
onde pouco foi preciso,
pra ver que o tempo parou ...

Guarda o brilho no olhar,
talvez uma terna esperança
de um querer, sem esperar,
de um amor também criança !

Ficou ,no retrato, marcado
um tempo que era menino,
o sorriso ali foi deixado
de um sonho pequenino .

Araçatuba,10/12/06
mercilia.rodrigues@terra.com.br
 
 
17- M E U RETRATO
Edmilson Alves.

Retratos são espelhos
refletindo simplesmente o você –
Alegre ou triste.
Não o destrua...
-quando a sua fisionomia
se apresentar aflita.
Somos uma unidade,
de muitos instantes...

-O retrato de um deprimido
não tem nenhuma culpa
quando retrata a depressão.

O retrato do homem infeliz
reproduz o tempo...
-Fardos...
-Tensões..
-Ansiedades..
-Angústias..
problemas e miséria.

O retrato do homem alegre
faz parte de outro momento
Duma mesma unidade:
-O homem...
Vencendo a ele mesmo –
No espetáculo da vida!...

O propósito da vida é perseguir a felicidade.
Mas, quem é feliz?...
Cada dia é quase uma vida inteira –
Em que só se percebe
que o paraíso era uma delícia,
depois que o perdemos.
O espetáculo da vida –
É o palanque onde a vitória
-é vencer a nós mesmos!...

Meu retrato é ser formoso

-No retrato da consciência...
Vivendo, simultaneamente, o prazer
e a face da angústia, e da tristeza!...

O louco corre empós dos prazeres da vida
e colhe decepções...
O prudente limita-se a evitar os males,
consciente de que a felicidade
–não está na glória,
Está no mérito.

O retrato da felicidade –
É quando nos sentimos
protetores dos desprotegidos;
Um guia pros que perderam o rumo;
Uma labareda pra os que sentem frio;
Um refúgio pra os desabrigados!...

Só temos a felicidade que damos,
Que doamos,
Que emprestamos...
Pra cura da dor...
De quem não conseguiu
Segurar o retrato da felicidade...

Fraternalmente
Edmilson
 
 
  18- O ESPELHO...
Angela Maura

Acabo de acordar,
o dia amanheceu.
Olho-me no espelho
e vejo alguém que amadureceu.

Os meus olhos seguem
essa imagem refletida,
que mostra minha pessoa,
que mostra a minha vida.

Assim como o mel é doce,
o espelho reflete nossa personalidade.
Só ele revela tudo,
independente da idade...

Mas agora essa pessoa
-que se diz ser eu-
desenvolve os sentimentos:
é a paz que nasceu...

O espelho mostra que ela sente um perfume...

Será felicidade,
amizade
ou ciúme?

Ela conseguiu viver
passando por um triste fato.
E o espelho refletiu
simplesmente o seu RETRATO...

SP - São Paulo
 
 
  19- MEU RETRATO
EM DOIS TEMPOS
Mário Osny Rosa

Meu primeiro retrato
Era pequeno menino.
Conta se alguns fatos
Quando nada pensava.

Já no segundo tempo
Começava ensaiar.
Naquele distante tempo
Tentava a escrever.

Que no tempo esmaeceu
Nada daquilo sobrou.
Lembro alguns episódios
Que logo vou escrever.

È o resta na lembrança
As estórias de crianças.
A escutar um gramofone
Também o primeiro rádio.

São José/SC, 10 de dezembro de 2.006.
morja@intergate.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br
 
 
 20- RETRATO-ME
Joaquim Marques

Neste meu retrato, já um pouco desvanecido pelo tempo,
me retrato, apenas, para deixar transparecer um pouco
daquilo com que a vida me doou... Que, foi bem pouco...
mas que, mesmo assim, o tempo impiedoso e inflexível,
na sua passagem, aos poucos, tudo levou.

Toda vez, que olho o gracioso porta-retrato,
que tenho na mesa do meu quarto, fico estupefacto
olhando minha foto que, me mostra, na realidade...
Aquilo que fui... E sou agora...
Transportando-me assim, para um mundo
de intensa saudade...

Do meu tempo de criança,
onde a esperança, dentro de mim permanecia...
Imaginando tanta coisa...Que eu queria vir a ser, um dia...
Mas, porque a vida ao atraiçoar meus sonhos levou...
Nunca fui.

Saudade tenho, também, dos tempos áureos
de minha juventude que, além da saúde,
foi o melhor presente que a vida me ofereceu.
Tempos de ilusões, desilusões... De paixões
que, não eram mais do que simples quimeras...
De amores vividos... Uns felizes, outros sofridos...

Num repente, a vida, implacável me cerceou
um dos cravos, mais lindos que eu plantara
em meu jardim, atirando-o para uma vida...
que teve princípio, não tem meio, mas terá fim...

Sempre que olho aquele meu retrato meio desvanecido,
vejo o que sou hoje e, o quanto na vida tenho sofrido.
Sinto-me como o sol no seu ocaso que, por acaso,
ainda irradia alguma luz ao fim de cada dia...
E, para esquecer o passado... submerjo na poesia...

Portugal
11-12.06
 
 
  21- AUTO-RETRATO
Orlando Caetano

Todo eu sou sonho,
não acordo nunca.
E se pareço acordado
falando
rindo e chorando
caminhando
organizado,
é só um truque
mais nada;
um artifício
apurado
do meu «isso» impertinente
malfadado
inconsciente
em que me esgoto.

Eu bem noto
os remoques que me fazem
por acharem que sou estranho
meio louco
despistado
de memória perturbada
sem dizer coisa com coisa.
Estou a vê-los
a morderem p’la calada.
Não sabem que sou sonâmbulo
e que tenho pesadelos.

Leiria - Portugal
 

  22- EU RETRATO..
Maria Regina Moura Ribeiro

Deveria ser fácil falar de uma vida intensa.
Somente não sei por onde começar...
Não importa, este "meu retrato" fala mais alto.
Momento de confraternização, de festa e alegria.
Retrato de 40 anos atrás...
quando tudo era fácil e eu era difícil.
Quando meus erros eu não entendia,
as minhas falhas eu não desculpava
e as minhas ilusões não aconteciam.
Retrato que me mostrou um caminho
em meio a emoções desencontradas.
Hoje, entendo quase tudo e tolero muito mais.
E como ficou fácil viver a vida como ela é,
cheia de encontros e desencontros,
alegrias e tristezas, lágrimas e sorrisos...

São Paulo, 11 de dezembro de 2006
 
 
  23- MEU RETRATO
Manuel Jorge Monteiro de Lima

O tempo passou
O retrato compara
Do quanto restou
Dos tempos de farra.

Tudo era folia,
Uma feliz canção,
A primeira via
De certa emoção.

Muitas loucuras vãs,
Entre alegria e pranto,
Resumindo as cãs,
ou meu cabelo branco.

Abraçado à Alaíde
Um amor maduro,
O melhor que tive,
Sério e seguro.

É este retrato
Que leva à lembrança,
Do jovem sensato,
Cheio de esperança.

Como um raio de sol
Mesmo no ocaso,
Da história, o crisol,
Deste belo caso.
 
 
  24- RETRATO DE INFÂNCIA
José Ernesto Ferraresso

Olho-me pelo espelho,
Vejo atrás de mim uma imagem.
É apenas um retrato triste de um palhaço.
Um rosto sombrio, com uma lágrima caindo.
Palhaço: Sinônimo de alegria e de euforia.
Pergunto o porquê da lágrima em seu semblante,
Gostamos desde ciança desta criatura,
Relembramos sempre da nossa infância,
Quando aplaudíamos nas suas peripécias.
Mas, essa figura sempre nos deixou algo de bom, de agradável.
O que será que essa lágrima pode representar em sua face?
Talvez alegria. Talvez Tristeza, Angústia.
Isso não sei, nem vou conseguir saber,
Só sei que essa lágrima nesse retrato um dia,
Fez parte do meu viver.

Serra Negra**11/12/2006
 
 
  25- MEU ROSTO EM FOTO
(Rose Arouck )

Fotografia embalsamada
mostra meu rosto
Compungido de esperança,
Na perspectiva de uma certeza
que encubra suave o tristonho
da tortura esvaziada.
Olhos opacos fragados no caminhar
da minha matança,
Onde afogo sonhos, trituro vileza
Esquartejo a intolerância.
Ainda assim resta a esperteza
Que se mantem viva, sagaz,
No momento do flache,
mostrando num realce
a força de que sou capaz.
 
 
  26- PORQUE SOU ROMANTICO
Marcial Salaverry

Como romântico, sou exceção...
Não resisto a uma emoção...
Exponho meus sentimentos...
Por um amor, tudo enfrento,
E isso não lamento...
Creio em esperanças...
Em sonhos risonhos...
Guardo boas lembranças...
Tenho meus sonhos...
O passado é esquecido...
O presente é vivido...
O futuro é o porvir...
Vivo com paciência...
Abomino a violência...
Sonho com uma utopia...
Vivendo cada dia...
Minha espada, de flores é feita...
Portanto... a mais perfeita...
Minha arma é a mais sã...
Só atira balas de hortelã...
Gosto de sentir emoções...
Gostosas sensações...
E de emocionar corações...
Vivendo com romantismo...
Com maldades não cismo...
Quero apenas o amor viver...
Com meu amor conviver...
Tenho necessidade,
De sentir felicidade...

Marcial Salaverry
 
 
27- O RETRATO NA PAREDE
Malu Mourão

Olho teu retrato
Na parede emoldurando,
Você linda,
Senhora, madona.
Fico lembrando
Teu olhar...
Doce austeridade.
Teu semblante,
Era a real dignidade.
Da lealdade do amar
Eras a dona.
Teu exemplo a ensinar,
Que amar é doação,
É emoção. É paixão!
Sinto saudades
De tuas verdades,
Da sabedoria em saber ser,
A rainha, a mãe, a mulher!...
Uma lágrima me acorda
Deste meu pensar.
A dor transborda
No meu peito e faz sofrer.
Mãe, o que fazer?
O retrato na parede me serviu,
Desde que você partiu,
Para lembrar,
Que você, mamãe querida,
Continua sendo a minha
VIDA.
 

 
 
 28- MEU RETRATO
faffi

Na parede do meu quarto jaz,
um quadro já amarelado
exibindo entre a moldura...
Meu Retrato.
Olhar feiticeiro
Cabelos ondulados
Um sorriso brejeiro...
Não lembro a data nem a ocasião
que foi feito esse retrato.
Pelo que a aparência indica, eu era feliz,
quem sabe foi feito em alguma festa,
algum passeio, alguma ocasião especial.
O retrato está amarelado a moldura perdendo a cor,
mas, em cada detalhe eu sinto o brilho da minha felicidade.
Quando passo perto dele, sinto o aroma de flores do campo,
parece que uma brisa leve me envolve por inteira,
sinto saudade de não poder sentir saudade do dia
em que ele foi tirado
Pra que sentir saudade de coisas do passado...se
o meu passado já foi totalmente apagado...
só restando dele... esse retrato.

faffi/ Silvia Giovatto
12/12/2006
 
 
  29- MEU RETRATO
Ene Mathias

Hoje a cor dos meus olhos
desenha-me
com os mesmos dedinhos de antes...
Inocentes rabiscos o meu rosto e seus sulcos,
como tivesse eu ainda os oito anos...
Em mim nada perdeu-se,
registra o lápis!

Mais:
ganhei vida,
minha madura face...
O retrato que meus olhos fazem
é ainda ligeiro em tudo.

É ambicioso,
sabe emanar esperanças,
aprendeu a paciência,
provou limites com destreza.

O desenho de mim
ainda é vigoroso,
autêntico,
energizado...

O meu retrato
não guarda-se em gaveta!
Ele acontece dia a dia, fazendo-se.
O meu retrato passeia magicamente, alado,
em busca de ser saciado e eternamente encantado...

O desenho que meus olhos
fazem de mim,
colore meus cabelos,
doura minha pele,
amansa minha sombra...

O meu retrato é inacabado:
falta um pedaço
que só se completará no fim,
lá no lugar
se algum dia,
ninguém mais se lembrar de mim!


www.enemathias.com
Goiânia-Goiás
Ene Mathias
 
 
  30- RETRATO E SAUDADE
Glosando Ferreira Nobre
Gislaine Canales

MOTE:

Saudade – instante guardado!
Retrato – imagem da gente!
Nela, presente o passado...
Nele, o passado presente.

Saudade – instante guardado,
a sete chaves, no peito;
dói muito ao ser relembrado...
tento esquecer...Não tem jeito!

Traz de volta a juventude...
Retrato – imagem da gente,
pondo fogo na quietude
do sonho que inda se sente.

Vivo o sonho esperançado
na saudade que angustia,
Nela, presente o passado...
faz dos ontens...nosso dia!

No retrato já esquecido,
um brilho se faz crescente,
vemos, então, revivido,
nele, o passado presente.

www.gislainecanales.com

 
 
  31- FLOR DE JUVENTUDE
Rosa Silva

Ao olhar assim o retrato
De sorriso emoldurado
Com beleza, é um facto,
Revi também meu passado.

Não que ele seja distante
Nem tão pouco olvidado
Fosse alegre ou errante
Sempre será recordado.

A mente é como a flor
Enquanto cresce viçosa
- Prefiro sempre uma rosa -

Comparo-a à juventude
Quando se sonha amiúde
Com um futuro promissor.

("Azoriana")
2006/12/13
 
 
  32- MEU RETRATO
Antonio Cícero da Silva

Hoje vejo o meu retrato
E relembro o ontem
Fico pensando no passado
Que se foi com tremenda rapidez.

Nele vejo as paisagens
Que já não existem mais
Eu também era mais forte
É claro, era bem jovem.

O meu rosto a brilhar
E hoje já enrugado e cansado
Mais ao relembrar o passado
As lembranças vem a tona.

Meu retrato fala por mim
Apresentando uma época
Fui muito feliz assim
Isso já há muitas décadas.

Mas a vida continua
E adquiri mais experiência
Continuo a contente viver
É essa a minha maneira de ser.

http://www.paralerepensar.com.br/antoniocs.htm
 
 
  33- MEU RETRATO
WILSON FONSECA

Limpando as gavetas do tempo,
guardadas no recôndito do pensamento,
Deparo-me com aquele retrato rasgado,
cortado, dilacerado, onde só eu fiquei.
Ali, embora amarelado, havia amor...
promessas de um viver à dois pra sempre,
Hoje, ao lembrar daqueles momentos...
volto à mesma praça e revejo o chafariz,
que com a suave brisa, formava seus dosséis,
e, suavemente, vinha selar nosso amor...
Ah! E agora em que a saudade desperta,
Olho o retrato deserto, guardado na retina
da triste recordação... Lembro àquele instante,
que com a mala pronta, chegou na moldura,
com uma tesoura na mão, em silêncio abrindo
pegou o retrato, e simplesmente retirou a metade,
deixando-me sozinho no ninho, feito para dois,
nunca mais foi preenchido o retrato na moldura...
fechei para sempre o meu pobre coração.


RIO GRANDE - RS, 13/12/2006
 
 
  34- SEU RETRATO!
Gildina Roriz (Magy)

Esse seu retrato preso na parede,
Me traz você de volta todos os dias.
Foram-se os anos... o tempo passou,
mas na minha mente sua imagem ficou.

Leio em seus olhos meigos, castanhos,
a mesma alegria dos anos findos.
Vejo em seus lábios doces, brejeiros,
a mesma ternura do olhar risonho.

Quando olho você, assim tão de perto,
a distância pelo tempo imposta inexiste,
se desfaz em brumas, nem me deixa triste...


Junto do seu, um grande retrato meu...
Pinturas a óleo, bem iguais,
mas eu envelheço... Você jamais!

Goiânia, 12/12/06
 
 
  35- RETRATOS ESPARSOS
Lígia Antunes Leivas

Atônita, perscruto os retratos desta inglória vida.
Desfilam à frente de meu sobrecenho atento
amarguras no horror do medo vindo sorrateiro.
No desdém, dançam desprezo, desapego, indiferença
e nos redemoinhos das culpas pelos erros não queridos
temo pelos seres indefesos na selvageria sem trégua.

Nesses retratos inconsoláveis do viver a vida
pela impossibilidade de sorver serenamente
os doces frutos de um coração sem mágoas,
ninguém é levado à culpa, ninguém é julgado
e muito menos alguém é condenado...
São retratos do desamor dos que nunca foram amados.

Brasil 15/12/06
 
 
  36- MEU RETRATO
Maria Chica

Como poderei descrever
Aos outros meu retrato
Preciso me conhecer
E ao espelho mais me ver
Para o descrever exacto!

Não sou feia nem linda
Sou como Deus me fez
Não tenho rosto de menina
Porque por mim já passou
A beleza que eu tinha!..

Tenho alma e coração
E muitos anos de vida
Tenho muita recordação...
Muita tristeza, muita alegria
Muito amor, muita emoção!

Tenho alguns cabelos brancos
Que a idade já pintou...
Tenho rugas no meu rosto
Que a vida em mim deixou
E o tempo não apagou!

Este é o meu retrato
Que eu tentei descrever...
Não sei se está igual,
Se corresponde ao natural
Desta mulher que sou eu!
 
 
  37- MEU RETRATO
Sá de Freitas

Na foto estou ali, qual fui um dia:
Alegre, sonhador, forte e ousado...
Ah! Quem não tem, meu Deus, melancolia,
Ao buscar lindos tempos no passado?

Hoje meu rosto um tanto já cansado,
Mostra as batalhas que travei na vida...
E os grisalhos cabelos têm marcado,
Em si, uma etapa do viver, vencida.

Mas sinto-me feliz me envelhecendo,
Pois tenho ainda a seiva da vontade,
E nem um sonho meu está morrendo.

E ao retornar aos tempos de outrora,
Paro um pouco na esquina da saudade,
Mas volto logo a caminhar no "agora".


http://sadefreitaspoesias.sites.uol.com.br/index.htm
 
 
  38- O RETRATO QUE NÃO OLHA O TEU OLHAR
Luiz Poeta ( sbacem - rj ) - Luiz Gilberto de Barros

Só se esquece o que não marca, o que não fere;
Entretanto só merece ser lembrado
O que é bom do nosso amor...e há quem espere
Ser feliz mesmo sofrendo com o passado.

Se tu queres ser feliz, não te reveles
Demonstrando, em tua dor, teu triste lado...
Quando sofres, é o amor que tu repeles
Tua dor é o teu amor fragilizado.

Não relembres as pessoas ou os fatos
Que fizeram tua dor te maltratar,
E não guardes no teu álbum de retratos
O retrato que não olha o teu olhar.

Se tu queres ser feliz, basta sonhar
Não tormentes teu amor com teu tormento;
Se o melhor momento não pode voltar,
Que tu vivas, ao sonhar, o teu momento.

Rio de Janeiro - Brasil
 
 
  39- M E U R E T R A T O
Roberto Coutinho da Motta,

O nome, papai escolheu.
Bob Motta é pseudônimo;
E com êle, asino eu.
Rimo, mostrando em meu verso,
Tudo o que há no universo,
O dom, foi DEUS quem me deu.

Nascí em Natal, na praia,
me criei vendo o arrastão.
Mas, passei a mocidade,
no meu querido sertão.
Lhe digo, nesse momento:
Sou Natal de nascimento,
Carirí, de coração.

Carirí paraibano;
Cabaceiras, Boqueirão,
Serra do Monte, Pocinhos,
Cedro, Bravo e vizinhos,
que eu guardo no coração.
Boa Vista, Riachão,
Riacho do Reis, meu caminho.
Eu recordo com carinho,
banho de bica em chuva grossa,
minha Malhada de Roça,
Santa Clara e São Joãozinho.

Eu falo do meu nordeste,
do seu povo, da estiagem.
Às vezes, de sacanagem,
meu verso também se veste.
Quem comigo já fez teste,
sabe como é meu poema.
Eu sou poeta da gema,
verso sobre p que quiser,
você pode fazer fé,
basta só me dar o tema.

Mas, também falo de amor,
de saudade, de beleza,
do esplendor da natureza,
de DEUS, seu grande escultor.
Esse mesmo Criador,
que nos rege o dia a dia,
na tristeza ou na alaegria,
me enche de inspiração,
e eu retrato com emoção,
suas obras, na poesia.

Eu cultuo muito o matuto,
na sua sinceridade.
Sua chucra liberdade,
e seu humor quase bruto.
Por essa cultura, eu luto,
com minha arma, a poesia,
se escapa uma pornografia,
lhe juro, irmão, camarada,
é só prá causar risada,
no amargor do dia a dia.

Eis meu retrato falado,
para me apresentar.
É cultura popular,
no verso metrificado.
Somente mais um recado,
aos "puritanos", então.
A pureza, meu irmão,
não está nas frases faladas,
mas, nas virtudes cravadas,
na alma e no coração...

NATAL-RN
14.DEZ.2006
 
 
  40- AUTO RETRATO
Maria Loussa

Venho de uma família interiorana, gente simples e bacana.
Com sede de conhecer a fundo tudo que possa ser útil neste mundo.
Sou muito realista, tenho os pés no chão,
Mas se for necessário mudo de opinião.
Como bióloga não vivo sem ar,
água e alimento, os elementos essenciais
para sobrevivência como preceitua a Ciência.
Como cristã preciso da Palavra
de Deus, oração e fé, elementos espirituais
que me dão sustento e me mantém de pé.
Sou muito alegre e otimista, tenho segurança
e firmeza ao andar na pista
oferecida por Ele para minha vida destemida.
Tenho aprendido
administrar e usar bem o tempo, dado por Deus,
tempo precioso remindo-o por ser valoroso.
Aprendi também lidar com
as pessoas e vejo o quanto elas são boas.
Não gosto nem devemos andar sozinhos
pois todos nós precisamos de amor e carinho.
Estou preparada para enfrentar o século XXI
e as mudanças, sem apego nenhum.
A vida é boa, é bela focada
no Criador, experimentando cada dia, o Seu amor.
Quero realizar meus sonhos:
· Ser reconhecida e escritora ser
escrever e escrever para esclarecer
a quem queira me ler
· Trabalhar pela valorização da mulher,
pois ela não é um ser humano qualquer.
Publiquei poucos livros, apesar disso com eles eu vibro.
Quero continuar e vou publicar os outros projetos
Que prontos estão, mas ainda inressurretos.
Além de ler e escrever, gosto também
de ouvir músicas que me levam ao além.
O mundo virtual me encanta e acho fantástico
através dele vou conseguindo espaço.
É envolvente. É uma arte divertida
que pode ser útil e favorecer à nossa vida.
E assim vou prosseguindo até onde me for permitido
Meus objetivos são nobres e podem ser seguidos.
Como o mundo não pára e portas são abertas
para as oportunidades, é bom estar alerta.
“Ninguém conserta ninguém”- eis um verdadeiro ditado
Vitorioso é aquele que não fica prostrado.
Acordar, calar, posicionar, esforçar e olhar para cima
é o nosso slogan. Deus é quem melhor nos ensina.
Ele me constituiu uma aprendiz. Estou aprendendo a ser feliz.

Goiânia-Goiás
 
 
 41- MEU RETRATO
Diógenes Davanzo®

Uma vida representada
Teatro vivo de uma realidade
Por um momento fixo no tempo
A saudade aumenta
Às vezes sorrio, outras choro
Que valor tem isso para mim?
O que representa isso?
De uma coisa sei
Faz parte da minha vida
Vida essa que pode ser de alegria
ou de amargura
Vida de esperança ou de desespero
Vida de amor ou de desamor
Porém, é o meu retrato
Único e indivisível
Se pudesse voltar ao tempo
Revolveria meu passado
Incluiria novas rotas
Outros caminhos
Novos retratos
Mas como isso é impossível
Fito-te demoradamente
Imagino coisas
Que fazem parte de minha vida
De um passado que não volta mais
De esperanças perdidas
Sem chances de recuperação
Ficando assim
Apenas a recordação
O meu retrato

14.12.06
21h53
São Paulo - SP
 
 
  42- MEU RETRATO
Susana Petraglia Kovalczuk

Quando vejo meu retrato de mocinha
Meus olhos se enternecem e marejam
A lágrima cai lenta e mansinha
Pelas linhas das rugas que aparecem.

A saudade imensa penetra no retrato
Que o tempo bom preservou a cor
Mas o coração dispara sem teatro
Quando volta ao tempo da juventude em flor.

O retrato me fita silenciosamente
Lembrando o tempo de juvenil amor
E a alma chora inconsoladamente
O outono da vida sem nenhum frescor.

Olho meus olhos cor de mel amendoados
O sorriso aberto de quem ama a vida
Cabelos longos, claros e anelados
E fico trêmula, fria e comovida

Olho o retrato e fico entristecida
Por não ser como foi nunca jamais
A alegria esfuziante da juventude vivida
São tempos idos que não voltam mais.

Mesmo assim coloco o retrato sobre a mesa
Para poder ver-me como fui outrora
E aceitar paciente que a minha beleza
Foi-se também no funeral das horas.

Curitiba 15 de dezembro de 2006
garagori@terra.com.br
 
 
  43- O GRITO
Hiram Câmara

No ar suspenso
como um móbile imobile
apenas um instante,
reflete o que penso:
um grito.

Irrompeu em glória,
na esperança do guerreiro,
da alma audaz de um soldado,
a defender um pedaço da Humanidade,
de outro tão jovem soldado,
a defender seu quinhão da Humanidade.
E na premência da vitória,
vem do interior de cada um
e como num "boot", se congela,
como um mito, na distância percorrida
em um segundo,
entre a Morte e a VIda.

Irrompeu em desespero,
num repente,
da alma sofrida de um doente,
e cortou o ar afora,
anunciando sofrimento,
pedindo socorro,
na premência de ir-se embora,
e agora, parado no ar,
cristalizado na dor que se esvai,
como um punhal cravado
nas costas da Ciência.

Irrompeu como alerta,
clamando que a porta estava aberta
para a insensatez , mas desta vez,
ninguém lhe deu ouvidos.
Era como um estilete fino
que cortasse anestesiados:
ninguém lhe deu ouvidos.
A Vida fez o que tinha de fazer
e fez girar a roda,
para que outro dia começasse.
Mas o dia não começou e fez-se noite.
E o vento-açoite engoliu-o
como um sapo englole o alvo mosquito
e gravado na mente ficou-lhe, somente,
o grito.

Irrompeu como um vulcão.
E foi assim tão inesperado,
que nenhum dos outros percebeu
que era seu, o grito tão calado.
Mas era um grito de paixão,
e paixão tão desvairada,
como flecha incendiada,
vasou céu e diluiu-se em estrelas.
E, então só de vê-las,
absorvo a sua energia
e por assim sabê-las
parte de tua alma tão distante,
quero ver-te entre elas,
e falar-te ao mirá-las.
mas, qual, como ouvir-me?
Foi então que compreendi,
que aquela energia
da alma do guerreiro,
do sofredor,
do responsável,
se integra no universo,
e nos vem dentro do peito.
E, é, desse jeito,
que você ouve meu grito
em silêncio, neste verso.
 
 
  44- MEU RETRATO
Joyce-Lu@

As rugas que vejo na minha face
São cicatrizes perenes... Marcas da vida
Sinais evidentes do dia-a-dia... da lida
Que vivo e da história que acontece

Cada espelho que passo diante da vida
Vislumbra-me o tamanho da estrada
Trilhas... Avenida ampla pavimentada
Também há atalhos e becos sem saída

Ao longo caminho enfrento intempéries
Muita pedra misturada com espinho
No espelho há ruga atenuada por carinho
Cada ruga tem marca de várias espécies


Olho meu retrato de menina na tela
Hoje... Vendo-me no espelho refletida
Observo saudosa quanto mudei na vida!
Pergunto: o que restou da menina bela?

Olho o sol se pondo no firmamento
E vejo as rugas no espelho que relato
Um Sol vestido de vermelho... constato
Que deixa marcas nas nuvens soltas ao vento

Porto Alegre- 15/12/2006
 
 
  45- MEU RETRATO
Luiza Soares

Olhando de quando em vez
um velho retrato de infância,
encontro naquele olhar
um ohar bem conhecido!

No cabelo, vejo então
um pouco de alma viva
mas nada encontro meu
estão agora nas netas!

Luíza Soares Benício de Moraes
 
 
  46- MEU RETRATO
ARETHUZA VIANA

AÍ ESTÁ, COM UMA LINDA DEDICATÓRIA
O RETRATO DE QUEM SEMPRE VAI TE AMAR.
ELE LEVA NOS TRAÇOS, A NOSSA HISTÓRIA,
CASO UM DIA, DEIXES DE ME AMAR.

QUERO FICAR FIXADA NA TUA MEMÓRIA
PARA QUE DO MEU AMOR POSSAS LEMBRAR,
MESMO CONQUISTANDO MUITAS VITÓRIAS,
NO PASSADO ESTAREI, SEMPRE A TE RECORDAR.

LEVA CONTIGO A MINHA FELIZ FISIONOMIA,
REPLETA DO TEU AMOR E DO TEU CARINHO,
ANTES QUE ME CHEGUE UM DESTINO INGRATO.

QUE ELE SEJA BOA LEMBRANÇA UM DIA!
SE NÃO ME TIVERES, ESTARÁ DE TI JUNTINHO,
MEU ETERNO AMOR E O MEU RETRATO!

http://doceamor2.blogspot.com
 
 
47- TUA FOTO - Memórias
Elaine Ermel

O tempo parou quando meus olhos
detiveram-se nos teus como outrora.
Doces, mansos, com ternura
tantas vezes leram minha alma.
Teus lábios esboçando um sorriso,
fragmento de luz, iluminaram meus dias.
Tuas mãos em verdes anos,
com loucura e paixão desvendaram-me.
Namorado, amante longo foi o caminho.
Emocionante a trajetótia.
Cerimoniosamente, tua foto
à gaveta recolho agora.
Passado...recente...distante
Repousas em paz na minha memória..

Rio Grande do Sul, 16 de dezembro de 2006
 
 
  48- FOTOGRAFIA DE CRIANÇA
Margaret Pelicano

Aquela criança chupando o dedo do pé,
era eu,pelo chão rodopiando,
por vezes, gatinhando,
recebendo da mãe o cafuné!

Tudo tão roliço, macio, cheiroso,
até a baba, para o pai era um gosto,
e o sorriso confiança e alegria...
...tudo perdeu-se do tempo da fotografia!

Olho-me e não me reconheço!
Mudaram as mechas dos cabelos,
a cor viva ficou morta e branca,
sem viço... nada mais me espanta!

As esperanças foram dando adeus,
o tempo encurtando,
as rugas chegando,
tudo o que eu não queria, aconteceu!

Adeus tenra idade e alegria,
encontro-me em outra etapa,
a crua realidade,
perdi a fantasia!

Brasília - 15/12/2006
 
 
  49- MEU RETRATO
Mary Jenny

Essa imagem retractada na velha moldura
fala-me do passado, chora comigo nas
horas tristes, e canta a meu lado nas horas
alegres, ficadas no distante da saudade...

Sempre que a olho vejo nela os prantos
vividos, vítima da vida e da indiferença.
É ela o espelho onde me vejo, e sinto como
o tempo passa veloz deixando sulcados,
no meu rosto as rugas que falam sem voz...

Em cada dia que me olho, não sei se
lhe quero ou se a odeio, pois é a imagem
das horas más e boas da vida, que
ficaram para trás em horizontes de silêncios.

Alemanha- 16-12-06
 
 
  50- MEU RETRATO
Madá

Meu retrato, talvez esteja esquecido
em um canto qualquer da sua estante.
Sem a mesma importãncia de antes,
mostrando um instante.
Quando a felicidade fazia parte
da nossa história, e a saudade
não fazia sombras na minha alma.

Brasil 10-12-06
 
 
  51- RETRATO PARA LEMBRAR
Elizabeth Assad

Seu retrato trás a lembrança
de momentos que passei,
no seu olhar fixo, perdido no
desconsolo do tempo, recordo
seu egoísmo, que em desvario, desfez
encantos e ilusões de um promissor
futuro, no qual sonhei.

Guardo como parte da história de
minha vida, cercado pela moldura rígida,
que certifica, que ali estará para sempre.

Fácil seria, rasgar seu retrato,
mas me furtaria de ver o mesmo olhar
frio, e constatar o tolo que foste em
seu egoísmo vil, tanto que perdeste
com sua fraqueza e agradecer
o quanto me permitiu descobrir a
real felicidade.

17/12/06

www.recantodasletras.com.br/autores/elizabethassad
 
 
 52 - RETRATO FALAVA!
 Márcia Possar

 Recriava-me em grafia!
À fotografia dava forma escrita
e sabia-me rosto enevoado,
em encontros, em encantos, em demasia...
 
Pensamentos perseveravam pedidos
no passado da minha imagem,
estampados no semblante que se amoldava
naquele meu olhar se tanto, endoado...
Pintava-me em efígie sem as cores do carmim
e exigia-me afim,
serafim, querubim, arlequim...
 
Fazia-me em poesias.
Estesias que o retrato encobria,
para além das ânsias:
 agonias, galhardia, algesia...
 
Do álbum brotava sutil,
em ardil me fazia morena,
e me fazia pequena,
assim frágil, assim estéril, assim eréctil...
 
Ao modelo desconhecido dava ares triviais.
Ais de quem se buscava
e, ademais:
sinais, contrastes,
naquele meu retrato, com
significações translatas e tão atuais.

 
 

 

rosadourada