CIRANDA - TRANSE

POETAS PARTICIPANTES

1 - Ferdinando

2 - Thereza Neves

3 - Tarcísio R. Costa

4 - Maria F. Moraes

5 - Neusa Mendonça

6 - José Ronaldo

7 - Helena Luna

8 - José Ernesto

9 - Marcial Salaverry

10 - Regina Bertoccelli

11 - Vírgina Maria

12 - Arianne Evans

13 - Fátima Moreira

14 - Gislaine Canales

15 - Lúcio Reis

16 - Raquel Teppich

17 - Eneisa

18 - Sérgio Guedes

19 - *Emiele*

`20 - Anna Peralva

21 - Lígia Antunes

22 - Antonio Cícero

23 - Maria R. Ribeiro

24 - Penhah Castro

25 - Célia Lamounier

26 - Suzete Duarte

27 - Bill Shalders

28 - Sueli E. Santo

29 - Rosa de Souza

30 - Miriam Cristina

31 - Carvalho Branco

 

 

 

1 - TRANSE
©Ferdinando

Sou filho das manhãs como áridos caminhos
 mistério ficado celebrando minha velada dor,
estrelas nocturnas que choram comigo
no entardecer das sombras, erguidas nos vales
 bocas secas de beijos, em friorentos lábios.

Vagueio na sombra, no inexistente caminhar
onde tudo sabe a nudez, nos dias feitos de mentira
num turbilhão para além das auroras cegas,
gemendo como o declínio dos astros, e das marés
olhares ficados em horror, como avermelhados lumes.

Sou espaço feito em musgo seco, no prado árido
ficado nos beirais, onde a saudade fica gemendo
maduras noites, despidas de todas as verdades
 madrugadas loucas de paixão, nascidas no tempo...
num abismo que chora magoado como eu.

Germany 23-08-07

2 - TROPEÇO NO NADA
Maria Thereza Neves
 
tropeço no nada
bem antes dos abismos
no êxtase ou na loucura do instante
caminho lado a lado de mim
das letras voando de dentro
em aparentes pinturas
andarilhas vazias sem destino

tropeço no nada
bem depois do vendaval
sem reflexos ,nem espelhos
cansada
sem sentido qualquer sentido
tiro férias de mim
ou tento reescrever a vida.

Brasil-14/10/06

3 - CONFLITOS
Tarcísio R. Costa

Sou um caminheiro, um andarilho sem rumo,
sigo o contrário da minha sombra, qu'e minh'ilusão,
sento-me na praia deserta, fico ali a pensar
o porquê de existir na Terra, tanto mar!

Vejo o sol vencido pelas nuvens, sem o seu brilho,
 não tenho vocação para ser o senhor da verdade,
volto de onde eu vim, pensativo e cabisbaixo...
mas, acho que o mundo carece de maior equilíbrio.

Da minha toca, loca do meu sonhar,
saio nas noites insones para o céu contemplar,
 conflitam os meus sonhos e a minha liberdade,
fico aturdido, em busca da verdade.

Penso, confuso... o que de mim, amanhã será?
abaixo a cabeça e fico, atônito, a meditar...
não adianta esse conflito e nem assim eu ficar,
por que tudo uma dia passará.

 Tarcísio Ribeiro Costa
Brasília, 30/08/2007

4 - AFLITO, EM TRANSE . . .
 Maria de Fatima Delfina de Moraes
 
Aflito,
em conflito vejo funestos minutos
arrastarem-se, perpassando-me . . .
 
Em minhas noites insones,
gritos mudos, sussurros.
 
Em meus momentos de transe,
inquieto-me na cova
de meu quarto escuro, fúnebre,
perpassando um tudo, que não passará . . .
 
RJ, 30/08/2007

5 - RETALHOS DA ALMA
Neusa Mendonça

Resta-me apenas os fiapos, os retalhos
De minha alma, as migalhas que cai de
Uma mesa farta, as sobras, os restos
Pois, pobre estou caída na rua, nua e crua

Sinto vergonha de mim, sinto o rasgar de
Minha carne, sinto o vermelho do meu rosto
Se destacar, no vazio desta vida, vida sofrida
Mas calo-me diante da realidade do mundo

Mundo este que esvazias-te tudo de bom que
Tinha dentro de mim, dentro de minhas entranhas.
Hoje vivo a vagar pelas ruas de uma cidade que
Não existe que criei dentro de minhas ilusões

Mas parada estou, sem saber que lado seguir
Se fico estacionada no tempo ou se sigo em frente
Estou sem direção, sem um guia, sem rumo certo
Mas continuo seguindo a rota que tracei para
Minha vida, para os dias que hei de viver

 6 - SOLIDÃO
 JOSÉ RONALDO

Não quero solidão
já passei por ela...em vão
sei o meu caminho
como também não estou sózinho
 
Vou seguindo levando a PAZ
sei que sou capaz
nada mais procuro
"ELE" é meu porto seguro
 
Empecilhos? vou enfrentar
tudo...vou superar
só quero amor dar
a quem encontrar
 
Seguirei esta proposição
com fé e disposição
"ELE" está comigo
"NELE" tenho abrigo
 
Quem estiver comigo
Venha...temos abrigo
Ouça a "canção"
E venha...meu "irmão"

7 - A PASSAGEM
Helena Luna

Dentro de mim
minh’alma grita
e, enclausurada, se agita
nessa demora que tarda.
Impaciente ela aguarda
que o sol venha
e ilumine
aquele momento sublime:
o seu retorno pra casa.

8 - SER MAIOR
 José Ernesto Ferraresso

Quando caminho pela praia
Sinto uma força no ar
Sei que em algum momento,
Sob esse firmamento
Encontrarei alguém para falar
 
Falar sobre o dia que vejo renascer
Iluminado pelas mãos de outro Ser,
Ser que rege nossas vidas
E nos faz sobreviver
Para esse dia vencer.
 
Ser que fez o firmamento
O sol, a lua e o vento
Fez também o dia e a noite
Criou também o tempo,
Tempo que leva e trás o vento.
 
Tempo que aos poucos transforma
Toda a natureza
Tempo que desvenda ao homem
O cosmos de tantas belezas
 
Serra Negra
31/08/07

9 - DISTANCIA MALVADA
Marcial Salaverry
 
Quero-te perto,
perto, longe dessa distancia...
Dessa distancia
distancia malvada,
malvada é a sorte,
sorte que mantém
mantem distantes,
distantes os que se querem
que se querem amar
amar com amor
amor de verdade
verdade que salta aos olhos,
olhos que querem ver
ver quem amam
amam e querem beijar
beijar com amor
amor que existe
existe e é real...
É real, mas distante...
Distante, e fazendo sofrer...
Sofrer a dor da distancia...
Distancia que causa ansia...
Ansia que nos deixa em transe...

10 - ALMA EM CONFLITO
Regina Bertoccelli
 
O que fazer diante do vazio
de minh'alma silente?
Rabiscos sem memórias
contornam a folha em branco
à espera da inspiração rotineira
E ela não chega...
A madrugada insone se estende
na busca alucinada de querer
apenas entender o porquê
de tanta dor, de tanta angústia...
Em estado de transe, com a voz
embargada e rouca,
solto meus gemidos que
se perdem na reverberação
de sons tristes, melancólicos...
Mais uma noite perdida
que se despede de mim,
deixando apenas as incertezas
do hoje que acaba de chegar...

11 - ABANDONO
Virginia Maria
 
Retiro da parede
o teu retrato...
Rasgo os pedaços
 inúteis de vida,
como velhos trapos,
remexo no quarda-roupas
num canto do nosso quarto,
arrumo os restos de sonhos,
na minha pouca bagagem,
 e parto...
Esqueço do teu manso amor,
que brincava em meus braços,
da tua boca gostosa,
 que beijava-me ardente,
até perder o meu fôlego,
num luar de um terraço...
Afogo quaisquer vestígios
e todas as minhas fantasias,
neste mar triste da poesia
 e choro as últimas lágrimas contidas,
num abondono frio da despedida...
O amor atravessa por aquela porta,
 estou sozinha e com minha voz
 embargada pelas saudades
 e mais uma vez, o teu amor parte,
 sem deixar-me alguma resposta!
 
SP- 31-08-2007

12 - TRANSE... TRANSITÓRIO
V. M. S.
Arianne Evans

Navego solitária entre as delícias
e as amarguras de tão somente ser - me...
Não busco as efervescências do Sol, na alma;
gosto dessa calidez suave que me acalma...
A efervescência do amor, só fez perder - me...
 
Tantas vezes sentí - me amando, inultilmente...
E amor seria, imenso, fosse alimentado,
mas sempre, e só o destino sabe a razão,
vi desprezado, rejeitado, o coração...
E o recém - nascido amor era esmagado...
 
Cansei! Gritou meu coração desconsolado...
E sob a lua argêntea que no céu brilhava,
um juramento fiz: Não mais amaria!
Das tolas e fugazes ilusões, eu fugiria...
Eram piritas sem valor, que me atiravam!
 
E dessa forma, por amor interiorizei - me...
Amor, sim, o verdadeiro, mas por mim!
Não mais aqueles sentimentos transitórios,
emoções tolas que jamais constróem histórias
e que, de inesperado, como um transe, chega ao fim...
 
Curitiba/31/08/2007

13 - RETALHOS DA ALMA
Fátima Moreira

Nem sei mais em quando,
minha alma foi "uma"...
Já se partiu em tantos pedaços...
Já sofreu tanto, já fez sofrer...
Em um abraço de pena,
um dia juntei meus cacos.
Chorei sobre eles como chora uma criança...
E em meio a tantas lágrimas,
os cacos se juntaram.
Eram lágrimas de amor...


Glosando Vasques Filho
 Gislaine Canales
14 - SONATA DE ANGÚSTIA
MOTE:

Nas angústias das demoras,
e dos conflitos profundos,
ouço a sonata das horas,
regida pelos segundos.

Nas angústias das demoras,
sempre é grande o sofrimento,
que, com lágrimas sonoras,
dilacera o sentimento.

Na dor de uma grande espera
e dos conflitos profundos,
meu coração se acelera,
e quer fugir pra outros mundos.

Sigo à procura de auroras
pelo infinito, distante,
ouço a sonata das horas,
vinda em ritmo alucinante.

Em tétrica orquestração,
toda espera e dor – submundos,
tocam terrível canção,
regida pelos segundos.

www.gislainecanales.com

15 - PEDREGULHOS NO CAMINHO
 Lúcio Reis

Vivendo de passo em passo
As vezes até com muito cansaço
Aparece-lhe um pedregulho e o inevitável tropeço
Trazendo-lhe sofrimento e jogando-lhe para o espaço
 
Saibamos que a vida nem sempre é alegria
Pois se na manhã há sol a tarde chovia
Mas tanto o calor quanto o frio tem poder
De lhe fazer sorrir e dar relevância ao seu viver
 
E quando a noite chega no fim do caminho
E se ler as angústias vividas
Pela ausência de carinho
Sabe-se que pedras abriram feridas
 
Também há, no entanto, as cicatrizes
Diplomas de vidas agora felizes
Que de pedregulho em pedregulhos pelo caminho
Podem brindar a felicidade com caríssimo vinho
 
Belém do Pará
31/08/07

16 - AMARGO DESPERTAR
© RAQUEL LUISA TEPPICH

Desencantada del amor,
de hermosas palabras,
juramentos vanos.

Alboradas huecas,
almohadas sin nuestros aromas
Noches mustias.

Burlaste sentimientos.
Dama ingenua 
cegada por la exacerbación.

Objeto de un ser cruel,
egoísta,
calculador.

Labios sin sabor a besos,
heridas a flor de piel,
despertares salados por lágrimas.

Yá , no te amo
dijiste una tarde de enero,
tomaste tu equipaje.

Aún repican en mis oídos,
cuatro palabras
asesinaron ilusiones.

17 - MEUS MOMENTOS
ENEISA

Foram tantos
e todos tão passageiros...
só as lembranças ficaram.
lembranças que fazem viver.
sem elas minha vida seria um vazio.
saudades...tudo ficou no passado...
agora só recordações dos momentos em que fui feliz..
eu era feliz e nem percebia o tempo passar.
agora que me sinto triste...e só...
sinto que foram momentos que ficaram
para sempre guardados a sete chaves
em meu coração.
só lembranças...saudades...
momentos ah!!! só o que restou.
saudades...

São Paulo
eneisa@terra.com.br

18 - LÁGRIMAS
Sérgio Diniz Barros Guedes

Olhos úmidos
companheiros da solidão,
lágrimas em cascata
ressentimento de uma decepção.
As lembranças afloram a memória...
O cheiro do campo
e a nuvem passageira,
contam a minha história.
Minh’alma desce aos meus pés,
beija meu coração
dizendo-me, pobre companheiro,
quem ama derrama
lágrimas de amor,
ao perdê-lo, lágrimas de dor.
A vida é veloz,
nos consome dia-a-dia
e leva nosso pensamento
para longe,
cruzando os labirintos
dos diversos nós.
Aterriza o seu trem de pouso,
neste seu avião
tem outro passageiro
querendo entrar,
quer voar sobre o mar,
quer contigo conversar
e para ti cantar
uma melodia de amor
sobre as nuvens a voar.
Não é sonho,
é a realidade
do passado
que só ficou
saudade.

 http://br.geocities.com/sdbguedes

19 - SOLIDÃO AO ENTARDECER
*Emiele*
                                  
Nas tardes mornas e silenciosas
meu coração se enche de porquês...
Faz-me lembrar dum certo passarinho
que no ramo pia só e encolhidinho...
Procurando seu par para se aquecer
e juntinhos adormecer.
                                                   
Sentada na cadeira perto da janela
Olho os pardais a saltitar nos fios
E me causa um certo arrepio
Imaginar que em meio às brincadeiras
Podem de lá se despencar
e no asfalto ver sua vida interromper.
 
Com este pensar tão negro e enfadonho
saio da janela e sento num sofá.
Vou ver o que se passa na tv
além de guerras, acidentes e assassinatos.
E pra ficar mais descontente
hoje descarrilou um trem na Ìndia
matando e ferindo muita gente.
Desligo a tv e sento diante do pc.
E tentando amenizar a dor do nada
coloro com sangue este céu cinzento
pois nem eu mesma não me agüento...
 
Ah, se eu pudesse! pintaria no céu um arco-íris
para alegrar esta tarde cinzenta de fumaça
que mescla de terror meu coração.
Mas como é impossível isto fazer chamo você
para somar alegria e prazer ao meu querer
que grita neste instante de dor e rasga o peito
de angústia, solidão e de sofrer.
 
Belo Horizonte, 05/08/2006 - 21:17 horas.

20 - A DOR MAIS FUNDA...
Anna Peralva

Num rompante, a palavra se trai
Desvanecendo a tela da emoção,
Implode inclemente a magia da ilusão
E o antigo sonho, cabisbaixo se vai...

Vida em horas vazias, reticentes...
Corpo trêmulo, em receios se retrai
Quando enfim, a máscara do amor cai
Retratando um tempo incoerente...

Desbotado semblante contrito-atordoado,
Olhar que traduz a dor mais profunda,
No peito, agonizam sentimentos violentados.

Temporal que decepa a raiz da paixão
Em sua entranha-terra mais funda.
Silêncio fatal cerceia alma e coração...

04/08/2007

21 - ALMA EM TRANSE
 Lígia
 
Na audácia das misturas recolhidas
me arrasto estonteada em agonia
sentindo a vida completa letargia
sem esquecer as traições sofridas
 
Sou peregrina... ando quase ao léu
mas sigo a trilha... vejo ao longe o céu
fugir não posso... não posso desistir
esse mistério? ...preciso descobrir
 
Forte e dourada ainda sinto a luz
em horizonte azul que me seduz
vai-se a agonia... vem um novo dia
há um futuro onde viverei sem cruz
 
 Pelotas,RS,BR
1º.9.07/19h

22 - NOS MEUS CONFLITOS
Antonio Cícero da Silva
 
Não sei se subo ou se desço
Vivo no mundo a vagar
Mas lutando muito permaneço
Que preciso a paz encontrar.
 
Muitas das vezes, nada dar certo
Que até perco o rumo das coisas
Mas já partindo para outra
Procuro aproveitar ao máximo o mundo.
 
E assim eu vou vivendo
Procurando um rumo sensato
Para nunca perecer
E na vida irei vencer...
 
http://www.avspe.eti.br/poetas/cicero.htm

23 - EM TRANSE A CHORAR...
Maria Regina Moura Ribeiro 

Noite escura de transe e amargura...
Estrelas não brilham no céu.
Saudades... saudades e mais saudades.
Na solidão da madrugada, a tristeza amarga
de quem não tem para onde voltar...
Calada, eu sinto a força que se esvai...
Mas continuo seguindo o caminho que trilhei,
mesmo sem saber para onde vou...
Um dia, algum rumo encontrarei.
O vento chegou sussurrando, as folhas agitando.
Será que eu continuarei em transe a chorar
com as saudades apertando?
Ou a vida me trará a paz
que não canso de esperar?

São Paulo 1 de setembro de 2007
www.corujando.com.br

 24 - SINTO-ME EM TRANSE
by Penhah Castro

Sinto-me em transe quando nocauteada
pelo seu amor que me fascina...
No ring da vida quero estar
sem me importar, se você ganhar...
Quero a cada dia sorrir
quando perto de você me sentir...
Acariciada e muito amada...
Quero a cada momento pensar
que nasci somente para amar....
Aprendo a cada dia
as lições do meu coração...
Assim eu vivo feliz
vivendo e fazendo a colheitado
 que plantei e colhi...
Sinto-me em transe com a emoção
que toma a cada dia meu coração...

25 - VIAJANTE
Célia Lamounier de Araújo
(no meu Livro: Entardecer de Lágrimas)

Viajante que vai indo
A colher flores e flores
É nosso alguém clandestino
Sufocado por amores.

Goza melhor os seus dias
Prova fruto já colhido
Eu por cá me quedo triste
A chorar num só gemido.

Vive, ama, alegra a terra,
Acende no olhar a luz
Que minha alma sobe serra
Levando pesada cruz.

Viajante que vai indo
A colher flores e flores
Vai indo e por mim vivendo
Que morro cheia de dores.

http://celialamounier.portalcen.org
celialamounier@yahoo.com.br
 
26 - RENÚNCIA
Suzette Duarte

Saudades não tenho dos momentos trágicos,
Ou dos momentos angustiosos,
Ás vezes me parecem mágicos,
Nada me dizem os dias ingloriosos...

Não falo desses infortúnios para quê?
Não os considero bons ou puros,
Entram sem saber... como não sei,
Assaltam a cada porta, são duros!
 
Não quero falar coisas impuras e vãs,
Não trazem valor ou positivo....
Quero o dia hilariante e suas alvas manhãs,
Luminoso com o seu pão construtivo.
 
Quero ser luz e doçura, viver com alegria
Onde a pureza se transforma em ternura,
E o poeta a reúne com mestria,
No coração subtil que no ser ainda perdura!

 27 - SEM CHÃO
Bill Shalders
 
Para que este mar cantando?
Para que estrelas a brilhar?
Se estou sozinho vagueando
Com o coração ferido a chorar
 
Preso num corpo delirando
Com pés sem apoio, sem chão
Minha alma esta reclamando
Doendo está meu coração
 
Vagando, pensando, delirando
Sozinho no meio do meu lamento
Vou tentando, imaginando
Por que tanto sofrimento?
 
Foi nossa briga de amantes
No meio de ciúmes delirantes
Com palavras escorchantes
Jamais voltamos como antes
 
Foram gestos impensados
Com arroubos emotivos
Foram atos tresloucados
Em ações sem motivos
 
Com provérbios impensados
Acabou tão amada aliança
De seres antes tão amados
Morreu a minha esperança
 
Agora é penar no sofrimento
Esperando o tempo passar
Esperança de qualquer lamento
Aguardando um novo despertar
 
Curitiba, 02/09/2007

28 - MOMENTOS DE TRANSIÇÃO
Sueli do Espírito Santo
 
Era uma frágil linha divisória
ali senti que a vida era ilusória
quem eu era...quem era aquela
 parecia eu mesma em transição
preparada para outra dimensão
embora desconhecida, tão bela
 
Perto da morte... e tão solitária
em transe, na linha imaginária
visualizando a minha mortalha
como para findar uma história
ma foi minha a grande vitória
ainda que frágil venci a batalha
 
http://www.sue2001.recantodasletras.com.br

29 - BRISA
Rosa DeSouza

O corpo quente, queimado sente,
pela brisa da noite afagado,
clamado, envolvido, consente.
Serás tu vento,
quem o corpo abandonado faz fremer?
Que esqueço quem és, no afã do prazer?
Que pões lágrimas nestes olhos
que olham sem ver?
Vento doce, brisa quente,
que me alerta,
continua tua desinibida busca,
de mil mãos em descoberta,
iguais a essas da lembrança,
que anunciam as da esperança.
Mas vento, esta carne não arrefeces,
nem o sangue acalmas;
não vibro, nem tremo.
Não tens lábios,
não posso descobrir ou palmilhar
as marcas de teus passos.
Não me podes dizer os obeliscos
que serpenteias;
nem as florestas que aumentas,
nem as ondas que cavas
em orgânicos abismos;
nem quais os cumes
cósmicos e pacíficos,
onde tudo começa.
Brisa, és prelúdio e lembrança.
És saudade que quero descobrir.
Em tuas mil vozes és como dormir,
trazendo tigres vorazes
que me comem sem dó
e que anseio o rugir.
Mas vento, és pó. ilusão,
não me atravessas noutra dimensão.
Circulas cortês na devastadora avidez,
enganando a vela da insensatez.
Meu fogo jamais poderias apagar,
minha chama é feita de mar.

Rosa DeSouza
www.rosadesouza.com

pergunteaseussonhos@yahoo.com

rosadesouza@hotmail.com

30- VOCÊ SOLIDÃO
Miriam Cristina (*Lua*)

Você que tira meu sono.
Mas não está ao meu lado quando me deito.
E não me beija ao amanhecer.
Mas que traz cheiros aos lençóis.
Fazendo-me passar as mãos pelo travesseiro vazio.
Envolve o ar com perfume.
Levando-me a buscar por algum vestígio.
Alguma digital.

Que dormindo me dá seu sorriso.
De olhos fechados o seu olhar.
Que toca em minha pele.
Você...
Existência vazia.
Presença ausente.
Coração em solidão.

31 - TRANSE DE LUZ
Carvalho Branco
 
Se teus gélidos lábios adornam boca,
 
tua boca tão mais sedenta de beijos;
se teu corpo magoado verte triste pranto,
enquanto pelo véu da noite velada,
tua dor, só espectro de tua alma louca,
em estertores, expressa teus desejos,
manhãs celestes trocam seu alegre canto
de floridos caminhos, estrada ensolarada,
por ais plangentes gotejando ao vento,
pois a ti, o filho, juntam seu lamento!
 
E tu prossegues, indiferentemente,
a vagar na sombra, fantasma do ideal,
tão cego, pois, quanto as auroras mortas,
ao ser ninguém, em sendo, descontente,
não mais humano ser ou mineral...
Sem grandes esperanças, buscas novas portas
e a teu caminho só clareia o sangue
em teus olhos vermelhos como dois faróis...
Com eles, atravessas secos rios, mangue,
onde não crescem lírios, nem mais girassóis...
 
Só não percebes que, ao te sentires
tal morto-vivo, múmia ambulante,
ao teu caminho não vertendo olhar,
sem nem aos pássaros veres e ouvires,
Como, dos beirais, ornado cantante,
adubaste a terra com o teu pisar...
e da saudade, brotaram as flores,
que ao prado árido pintaram com cores,
maduros frutos, essências, madrigais...
enxugando prantos e todos os teus ais!...
 
Só não percebes que, à noite, as estrelas brincam
e a Terra é iluminada por raio de luar...
Que o Sol, ao dia, aquece, raios de luz
que em tua alma perpetuam e fincam
  a esperança-verde da água do mar...
Só não percebes que se é pesada a cruz
que tu e cada um de nós carrega,
a chuva que cai em cada madrugada
 mata a sede e o canteiro da alma rega...
 É a Natureza a compor-nos uma balada!...

 

RODA