FUNDOGRITO

CIRANDA - GRITO

POETAS PARTICIPANTES

1-Ferdinando

2-Maria Thereza Neves

3-Maria Fátima Moraes

4-José Ernesto

5-Regina Bertoccelli

6-Edna Carreon

7-Mifori

8-Penhah Castro

9-Theca Angel

10-J.R.Cônsoli

11-Ary Franco

12-Elvira Almeida

13-Eri Paiva

14-Fátima Abrantes

15-Fernanda Araújo

16-Luzia M. Cardoso

17-Pinhal Dias

18-Maria Tomasia

19-Cássia Vicente

20-Cecilia Carvalho ( Cel )

21-Marinez Stringheta

22-Maria Granzoto da Silva

23-Rita Rocha

24-Mary Jenny

25-Isabel Passos

26-Ervin Figueiredo

27-Luis da Mota Filipe

28-Maria José Zovico

29-Maria Thereza Neves

30-Naidaterra

31-Nivaldo Ferreira

32-Renate Emanuelle

33-Célia Lamounier

34-Gislaines Canales

35-Glória Marreiros

36-Maria Olga Lima

37-Muriel Elisa Pokk

38-Rute Seubert

39-Susana Custódio

40-Humberto Poeta

41-Ligia Leivas

42-Maria Luiza Bonini

43-Nidia Vargas Potsch

44-Regina Coeli

45-Roze Alves

46-Sandra Rahal

47-Yeda Araújo

48-Mário Matta e Silva

49-Antonio Cícero da Silva

 

1-Grito !
Ferdinando©

Nas ruas tristes da noite, há gemidos
sobre as águas poluídas da indiferença
que rasgaram a calma ridente dos dias,
traçando rios sem palavras nem gestos,
sobre o amanhã que dizia mensagens.

Gritos de corpos caídos, desejos ficados
verdes no tempo, pois tudo se acabou,
numa tumba lisa, com coração crente,
onde o tempo desenhou jardins de auroras...
Hoje sem uma flor, nem uma lápide !

Corpos inocentes, que falavam do amanhã,
arremessados para a sombra do esquecimento
ao espanto da noite, no tremer dos ciprestes.
A vida olha agora, cansada de incertezas
sobre o rasgado cenário, de ter errado tanto !

Germany 18-02-11


2- Em Agonia a Vida!
Maria Thereza Neves

Pensei em algum lugar morar
pensei que a rua era meu lugar
mendiguei carinhos
migalhas de pão
pensei nos trapos-jornais me aquecer
não morrer.

Nesta solidão que banha minha alma
nas catacumbas da mente
nos esgotos e pontes
mesmo assim
pensei Ser Gente !

Sonho
na noite que encobre a rua
que me faz refém-prisioneiro
nos restos-sombras-memórias
de algum dia
a algum lugar voltar-abrigar-estudar...

Na agonia desta vida mendiga
ouso castelos criar nas avenidas
nada escapa ao meu olhar-desejar
só vejo o estuprar das letras
dos direitos meus
das palavras vazias e ocas.

Tento manter o latejar do sangue
gritar o meu padecimento
a ferida sofrida dos meus filhos
da fome de comidas-escolas
dar trégua a mente e mostrar ao mundo
QUE SOU GENTE!

Mesmo assim
só escuto de volta um eco :
ES APENAS MAIS UM INDIGENTE !


3- GRITOS!
Maria de Fatima Delfina de Moraes

Corpos estendidos entre marquizes, viadutos.
O mundo deveria estar de luto!
Gritos de clemência, de fome, de dor...
Por andarão as sementes do chamado amor?

Corpos sem sonhos, esperanças perdidas,
quiçá em alguma esquina da vida...
Almas cansadas, errantes,
perpassam entre eles os transeuntes...

Corpos dormentes já não falam do amanhã,
em febre terçã pelas sombras esquecidos...
Gritos e lamúrias vãs...
E das incertezas restaram gemidos.

Rio de Janeiro - Brasil


4- GRITO
José Ernesto Ferraresso

Diante da devastação,
 desmatação, falsidades,
intromissão de nosso universo.

Diante das doenças do espírito,
que faz chorar e
mostra-nos desgraças.

Diante de todos os humanos,
dos falsos profetas, que
prometem e não cumprem.

Diante da ira que substitui a harmonia
que invade nosso mundo
e destrói o ser humano.

Diante das desgraças que assola
as ruas escuras e leva nossos jovens
a caminhos obscuros e perigosos.

Grito em altos brados :
Senhor! ... Olhai por nós !


5- MEU GRITO
Regina Bertoccelli
 
Preso em minha garganta
Meu grito contido jaz
Abafo o pranto com a manta
Neste momento sem paz
 
Preciso gritar teu nome
Não vou mais me calar
Um nome sem sobrenome
O que importa é desabafar
 
Teu nome ecoa no ar
Aliviando minha dor
Foi bom poder abrandar
Meu coração sofredor

6- GRITO
Edna Liany Carreon
 
São gritos... levados pelo vento...
Gritos que ninguém ouve,
pois, são gritos sufocados, desesperados,
gritos esses, que se calam, diante
da dor e do medo...
Nos interiores de lares desfeitos,
pela violência, pela brutalidade,
onde impera o sofrimento e
não mais a felicidade...
São famílias desfeitas,
Que outrora, existiu amor e compreensão,
agora somente dor e decepção...
O que pode levar um ser humano
a tratar o outro ser, a quem tanto amou,
de uma forma cruel e desvairada?
Como pode maltratar e espancar,
a companheira, sem ao menos querer conversar...
Como pode?
Se ontem se amavam...
E hoje se sufocam...
 
Edna Liany Carreon
30/11/2003
Ciranda Brasil-Portugal

7- GRITO DE UM POETA
Mifori

Todo grito sufocado,
fruto da saturação,
é um grito reforçado
redobrado na explosão.

Este poeta grita forte
contra a impunidade,
vai gritar de sul a norte,
pela sua liberdade.

Chega de imoralidade
de se ater ao que convém,
e de falsa caridade,
sem coragem de ir além.

Quer mais luzes nas janelas
respeito, e hombridade,
livre visão a todas elas,
com justiça e seriedade.


8- MEU GRITO
by Penhah Castro

Um grito mudo sempre sai da minha garganta
de tudo em volta que me desencanta...
Sei que não posso mudar o que fora de mim está...
Não posso mudar a miséria mesmo dando esmolas

que a ninguém consola...
Não posso acabar com a fome
mesmo dando alimento para muitos sem nome...

Não posso acabar com a dor...
Não posso acabar com nada no meu exterior...
Mas posso passar o meu conhecimento
durante a minha vida, e em cada momento...
Posso acrescentar ao meu modo de pensar
posso ser humana e caridosa , munindo-me de coragem,
para gritar e despertar a consciência
de um governo onde falta muita decência..
A uma estirpe de ladrões
que somente para o mal eles dão as mãos...
Eles agridem as florestas,
atrapalham a ecologia,
exercem a corrupção,
e, ai vem os desastres pela ignorância
dos representantes da nossa nação...
E, agora quem é o culpado?

9- CONFISSÃO
Theca Angel

Quantas sombras vagantes nas sarjetas
Pequenas almas ceifadas pela pobreza
Seres a quem o futuro foi negado
Seus sonhos sem presente ou passado
Num futuro inclemente foram jogados...

Pobres corpos ressequidos pela fome
Poças d´água lúgubres foram seu berço
Seus olhitos não viram da vida, um terço
Colhidos que são por morte incongruente
Sombras no futuro a bailar frente a mente.

Sem lápide, em cova rasa amontoados
Nos cobrarão sua agonia do passado.
Talvez esquecidos nomes, origem, data
São inocentes que deste mundo descrente
 Se foram, eivados pela pior dor que mata.

Tão mesquinho o gesto que era esperado
A mão estendida, a carícia, o prato quente...
O que faço Deus ante tal miséria demente
O que faço que meu braço não alcança..
Para entregar-lhes um naco de eserança!


10- O Grito
J..R.Cônsoli

Eu vi o dia terminar e
a luz desaparecer!...
Eu vi a noite adentrar o vazio do mundo.
Eu ouvi gemidos de crianças e gritos
de mulheres desesperadas.
Eu vi pessoas e animais agonizantes.
Eu vi a perfídia humana sorrindo
sobre os cadáveres amontoados.
Eu ouvi o barulho das bombas e
o crepitar das labaredas.
Eu vi paredes caídas e fumaças
sobre as cidades...
Eu vi imagens de crápulas
dizendo quantos mataram,
e quantos iriam matar...
Eu só ainda não vi o juízo do tempo!...


11- GRITO
MENINO DE RUA
 
Menino de rua, sem futuro, sem destino
Abandonado, vagas ao leu, em desatino.
Nada podes esperar do teu incerto porvir.
Muito choras, pouco tens que te faça rir.

Vítima de um lar sem berço e desfeito.
Lançado à rua, sem um beijo nem carinho.
Buscas em desespero um rumo em teu caminho,
Mas tua bússola só te leva a atos mal feitos.

Só te viram as costas nesta nossa sociedade.
Não te dão chance de alcançares a felicidade.
Sem abrigo à noite, tens por teto apenas a lua.
Pobre menino de rua, que triste sina a tua.

AryFranco

12- GRITO
Elvira Almeida

Solta-se o grito
do oco da minha alma!
É noite,
longe da alvorada …

O eco dos passos
que se afastam no vazio,
sugam dos meus olhos
a lágrima libertadora
da solidão!

Estou cativa!

O brilho em meu olhar
já se apagou;
não distingo mais
o ribombar da trovoada
da dor apertada no meu peito!

Incursões ao arco das mil cores
ao som da gargalhada
cristalina
que morou na casa
da nossa paixão,
já só me levam
à paisagem da terra queimada
suspensa sobre o abismo!!!

E grito!
Porque renasci contigo
e porque morri em ti...
…mas ainda sonho com pássaros
de papel colorido!

20 de Fevereiro de 2011
EA


 
13- NÃO ME OLHEM COM DESDÉM
Eri Paiva

Olhe a pipoca quentinha
Que água na boca dar!
Algodão mais do que doce...
Que bom se a vida assim fosse!
Quem compra prá me ajudar?

Não me olhem assim...
Desse jeito, com desdém!
Tenho alma, coração,
Sou filho de Deus também!

Não é por um querer meu,
Nem também sei de quem é,
Que na rua sempre estou...
Mas eu peço e boto fé,
Na madame e no doutor.

Compre, senhora madame,
Um saquinho de pipoca!...
Mesmo estendendo a mão,
Seu coração não se toca?
Eu boto sal a seu gosto
E manteiga se quiser...
Tem certeza que não quer?

Deixe uma coisa eu dizer:
Para nascer não pedi,
Mas peço para viver.
De fome sei que não morro
Mas de desdém... pode ser!...

Em 03.08.2008


14- GRITO
Fátima abrantes
 
Grito...como poucos gritos há
na explosão de minh'alma
que não pode suportar.
 
Versos e anversos repetidos
na enseada de dores convertido,
para que os há?
 
Se ceder já não é contigo,
nem fazer-se bálsamo de um amigo,
razão não há.
 
Se na algibeira carregas
o amor reprimido ainda que desmedido,
mas só lá está.
 
De que serve meu longo grito
se na platéia não há
quem o haverá de escutar...

15- O GRITO
Fernanda Araujo

“Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz!
Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece!”
(Sl 129/130)

O poço é fundo
escuro e assustador
A angústia me sufoca.
Senhor, cadê sua mão?
O Senhor não é a Luz?
O Senhor não é o Caminho?
Veja quão grande é minha dor
e pequena minha fé.
Mas tento rezar...
Então grito bem alto
E o Senhor escuta
meu grito que saiu da alma!

 
16- GRITO CONTIDO
Luzia M. Cardoso

Eu queria falar, com nostalgia,
de minha infância inocente,
quando, aos pulos da amarelinha,

sorrindo, eu corria.
Tinha a boneca na mão
e meu irmão rodando pião.

Eu queria falar, com alegria,
do raiar rebelde de minha juventude,
quando o corpo sussurrava ao amor que surgia.
Tinha as conversas no portão

e os beijos roubados de supetão.

Eu queria falar das flores sortidas,
pequenas, grandes e perfumadas,
onde bailavam borboletas coloridas.
Tinha abelha e zangão
e outros bailarinos de plantão.

Eu queria recitar poesias de amor
emocionada por sua grandeza,
com rimas levadas libertando fantasias.
Ter estrelas a calar a escuridão
e o luar a viajar na imensidão.

Eu queria tanto dizer doces palavras,
permitir sonhos e esperanças.
Hoje, porém, eu não posso.
Há tantas almas perdidas na multidão,
tantas outras mutiladas pela solidão.

Eu não queria falar de mortes,
mas foram silenciados os gritos em luto no Haiti.
São raras e caras as vidas perdidas lá.
Altos são os juros das tantas somadas além.
Tem ainda os dividendos das que ficam neste, que é aqui.

Eu não queria falar, mas não calam poetas
noites que choram trevas marcadas por dor.
Gritam Chico, Manuel, Cecília, Dias...
- Esconda-se povo, desse insaciável devorador!

Eu ainda queria as mais belas e puras figuras trazer.
Se fosse artesã ligeira, estrofes inteiras eu poderia tecer.
Rápida e voraz é a caçadora,
e escondê-la o poema não permitiria.
Predadora é a fome que mata, e mata mais
do que qualquer estranha força mataria.

Do livro "Engajou-me a Poesia" RJ:CBJE, 2010
http://evivendoquesevive.blogspot.com


17- GRITO
Pinhal Dias

Quisera eu gritar bem alto
Com amor acreditar
Visão guiada no planalto
E adormecer nesse lugar.

Um grito suou mais alto
Que refez a madrugada
Acordei em sobressalto
Por essa forte trovoada.

Trombeta não foi desejada
Outros gritos fazem sentido
Soletrou a sua amada
Num grito comprometido

Pinhal Dias (Lahnip) - Amora / Portugal

18- SOLTO MEU GRITO
Maria Tomasia

Solto meu grito, tão condoído,
ao ver tantas almas sofrendo;
jovens com o futuro já corroído,
às profnndezas vão descendo.

São os pobres coitados da vida
que vivem soltos e à míngua,
sem terem sequer restos de comida
 e até de água, para molhar a língua.

Todos enxergam, mas não fazem nada,
passam sempre em disparada,
principalmente durante a madrugada...
alguns, dão até risada.

Pela tristeza que invade meu coração,
grito ao mundo para dar uma olhada
nessa pobre gente sem direção,
dando-lhe comida e tirando-a da calçada.

19-GRITO
Cássia Vicente
 
Minha garganta dói, quer gritar!
Minha mente desmente a verdade,
camufla a dor,
finge que é hora de sorrir.
Questiono.
Por que me enganar?
prefiro feri-la até sangrar
machucar ouvidos e sentir
que o vento leva meu lamento
pra bem longe.
Grito!
Desabafo num só lamento!
Não lamento ferir,
prefiro repartir a dor...
Espero que algum ouvido me escute
e venha me curar.


20- GRITO
Cel (Cecília Carvalho)

Pelas ruas onde ando,
almas tristes perambulam como se estivessem sem vida,
sentem fome e frio, mais não reclamam.

Sobre o corpo, trastes
mas na alma apenas eles sabem o que guardam
pequenos órfãos da vida ...

Pedintes de fome, não violam as leis
não roubam, não agridem, sequer ficam nus,
apenas andam pelas ruas nuas, como eles ...

No peito, um grito,
sufocado, pela própria inércia de vida
nas calçadas, morto, como eles ...


21-GRITO!
Marinez Stringheta/Mara poeta

O pior grito é o preso na garganta
Não tem forças pra sair
Queda-se exausto
Enquanto vozes mudas
Pedem socorro
E ninguém ouve
Clamam por um pouco de atenção
E ninguém ouve
Lágrimas caminham pela face
E ninguém vê
Face marcada, olhar sem brilho
E ninguém vê
Ninguém mais tem tempo...
Ninguém mais doa
O mínimo que seja do seu Amo
Por medo de nada em troca ganhar
Por medo, não sai do lugar
Egoísmo... Individualismo...
Impedem que o grito tenha resposta.

 
Botucatu/SP/Brasil
21/02/2011 – 02h20min


22- Emudecida
Maria Granzoto da Silva

Tanta injustiça no mundo
Torna-me embrutecida!
Um estertor tão profundo,
Tira o sentido da vida!
Injustiças
Sem milícias...
Sonhava e tinha a certeza
Que havia honestidade!
Nunca vi tanta pobreza
Pontuando as idades!
Corrupção
Sem punição...
Tamanhas as falcatruas,
Circula nos palácios suntuosos
Conchavos em plena rua
Sem que fiquem receosos!
Pobreza
Sem nobreza...
Tamanha a indignação
Latejando em minhas veias,
Explode meu coração
Ataram-me como em peias!
Meu grito,
Busco seu eco no infinito...

Maria Granzoto da Silva
20-02-2011

23- MEU GRITO
Rita Rocha

O dia ia claro quando você me apareceu
Trazia estampado no rosto as marcas
da noite de orgia... e meu sangue ferveu.
E o grito sufocado na garganta
Num tom implacável, explodiou, e
até me surpreendeu...

Todo entorno pode ouvir.
Importava-me nada o que pudessem pensar...
Meu sonho tinha acabado ali...
Seu aspecto horrível foi o primeiro a te entregar.

Não suportando tamanha humilhação
Em alto e bom tom gritei indicando-lhe a saída.
Você saiu cabisbaixo sem forças pra se desculpar.
E eu fiquei sozinha tentando entender a vida.

Não ficara nada das horas de felicidade.
- Nada ficara dos lindos sonhos vividos.
Mas o tempo passou e a vida mudou...
E a força de meu grito ainda é sentida
Faz parte da mudança total de minha vida!

Rita Rocha
Santo Antônio de Pádua, 20/02/2011

24- MISÉRIA
Mary Jenny
  
Na minha aldeia,
Correm crianças mal vestidas
E descalças tiritando de frio.
Rostos famintos, olhos meigos
Como a ternura das manhãs.
  
Divertem-se correndo, brincando
Sem brinquedos, nas bermas tristes.
Nunca sentiram o calor do sol
Aquecendo a frieza do seu viver.
Muitos sem nome sem pais nem lar...
Filhos da desventura, e de ninguém...
  
Germany

25- GRITO
Isabel Passos

Ao vento grito, em silêncio,
palavras de desalento
quando, ao arrebol vislumbro,
deitado sobre cartão
aquele menino sem lar, sem afago, sem pão.

E quem lhe ensina o caminho do bem?
E que espera ele do amanhã?
Isso que importa se a sua esperança é vâ?

Já teve pai, já teve mãe,
que se perderam
em charco de vida imunda,
e um pedaço de si esqueceram.
E a seguir outro virá,
mais um ao Deus dará.
E assim, sem culpa,
anjos se transformam em vagabundos.

Em lágrimas de dor,
eu grito, e suplico ao Senhor
por esses meninos indigentes,
pobres vítimas inocentes!

Lisboa/Portugal

26-GRITO
Ervin Figueiredo

Um grito que soa,
Alguém que reclama,
Não tem sua cama
Num tempo que voa,
Ninguém mais se ama,
Meu nome não chama,
Nenhum som ecoa.
Se apaga a chama,
A ferida inflama
E o sangue escoa...
Caídos na lama,
Se arrasta quem clama,
Não é mais pessoa,
Da raça humana
Sobrou só a fama
Que já não é boa...

21/ fev/ 2011  Americana/ SP


27-GRITOS CALADOS
Luis da Mota Filipe

Gritos calados…

Que carregam solidões,
Que transportam sofrimentos,
Que guardam desilusões.

Gritos calados…

Que bebem das lágrimas,
Que comem das agonias,
Que respiram das mágoas.

Gritos calados…

Que vivem com os segredos,
Que dormem com as correntes,
Que acordam com os silêncios.

Gritos do dia, da noite…

Gritos do amanhecer, do anoitecer,
Gritos… tantas dores, tantos ais,
Abafados… apertados… escondidos… silenciados;

Gritos calados!

Luis da Mota Filipe
(Sintra - Portugal)


28-O GRITO
Maria José Zovico

Sozinha, pregada ao cais do porto,
Um grito rouco morre na garganta...
Meu olhar misto de perdido e absôrto...
Vejo o barco afastando...e a mágoa é tanta!...
 
O grito ecoa na alma e na solidão...
Não consigo sentir dor nem ais!...
Foi de tanto amor... porém tudo em vão!
Porque bem sei não voltarás jamais!...
 
Não imaginei que fosse terminar assim!...
A saudade se encrusta em meu coração
E o grito abafado, levarei enfim...
 
Posso gritar, mas não escutarás
Estas longe demais... te perdeste de mim!...
Malograrei... e tu, como viverás?
 
Maria José Zovico ( Zezé)


29-A cor do meu grito
Maria Thereza Neves

Não importa quantas cores existirem
nem todos os arcos ires aparecerem
Vermelha é a cor do meu grito!

Do sangue que jorra
das lágrimas que escorrem
pelos oprimidos
sofridos!

Bebo um gole do meu reflexo
amargo
horrível
bebo a cor do meu grito

Vermelha é cor do meu grito!
Do sofrimento sem nome
com gosto de fel
que clama por fraternidade.

Trémula, encolhida
dentro do meu espanto
quero gritar
a única coisa que posso fazer é sangrar!

Vermelha é cor do meu grito!

Mastigo todas as imagens,
tento engolir todas as dores
mudar as cores

Sou palavras sem sentido
janela sem vidro
para que meu grito
seja por todos ouvidos.

Vermelha é cor do meu grito!

Juiz de Fora/26/05/2003- 14:36h
Maria TherezaNeves

30-GRITOS DE MEDO
Naidaterra

São tantos os meus gritos,
que as vezes me vejo perdida
na imensidão dos dilemas e das dúvidas...
Grito pela criança violentada que chora,
pelo idoso que só lhe resta o nada...
Tenho medo do que está por vir
diante de tanta miséria, falta de
humanidade, guerra, poluição,
destruição, fome e falta de religião...
Medo de acreditar no próximo e
ser traída, enganada...
GRITO!"
Pela cura das doenças, tráfico de drogas,
pelo nosso planeta Terra,
hoje vestido de palhaço triste
sem alegria e emoção...
Hoje eu tenho medo e grito pelo do nosso
futuro, incerto e obscuro...

31-MEUS GRITOS...
Nivaldo Ferreira

Da cripta sepulcral saltam-me os versos,
do meu peito arfante, os versos transpiram,
e desse asco suor, filetes se criam,
rasgando a carne podre sem adversos...

Pois não vejo mais o celeste céu,
angaria-me essa escuridão
aos gritos dementes sem compaixão,
onde vou rastejando nesse ilhéu...

Ah essa dor no peito quebra os ossos
e na garganta um gosto amargo fica,
lambe-me a face a dor que ramifica,
quão nocivo cancro que toma posses...

E, sob a minha lápide sem cor,
saltam meus gritos, no ápice da dor

( Nivaldo Ferreira )


32-MEU GRITO
Renate Emanuele

É o grito apavorado de quem sofre
Neste caos que leva todos à morte
Está jogada a cartada, nossa sorte
Ganhará o poder da casta "nobre"

Entregue a munição ao imprudente
Do povo retirado com argumentos
Implora as vítimas em sofrimento
Ouvidos tapados, não somos gente

Leis são aplicadas ao povo pequeno
Vítimas desgraçadas da falsa sociedade
Deste gordo governo e sua imoralidade
Que sagaz, não bebe de seu veneno

Amaldiçoado seja pão que não reparte
Este pão que é o suor do povo pobre
E que só farta a mesa do mais nobre
Que o corpo do egoísmo não se farte

É nesta aflição do povo que trabalha
Está o padecer de criaturas inocentes
As mulheres, crianças e adolescentes
As maiores vítimas do governo canalha


33- GRITO
Celia Lamounier de Araujo

O corpo suado e cansado
que a alma lacera
não quer seguir os caminhos
pois sabe
que a vida é morrer.

Morrer aos pouquinhos
ferir-se em espinhos
através do tempo
Morrer aos pouquinhos
bebendo o licor que o dever
oferece em todo momento
Morrer aos pouquinhos
engolindo suspiros
humildes e lentos.

O corpo pesado e temente
que a alma intentava
fazer mudar, doente jazia
com um GRITO-sufoco
preso no ar.

Viver é querer
Viver é morrer
A alma e o corpo
dois GRITOS contrários
que vão se anular.

www.celialamounier.net


34-GRITOS QUE NÃO DEI...
Gislaines Canales

MOTE:
Glosando José Maria Machado de Araújo

Minh’alma é tão conformada,
que, às vezes, nem mesmo eu sei
se a minha angústia é causada
pelos gritos que não dei!...
 
Minh’alma é tão conformada,
é calma e dona de si,
nunca reclama de nada
e até chorando...sorri!

É tão grande a nostalgia
que, às vezes, nem mesmo eu sei
se é tristeza ou alegria,
se sou plebeu, ou sou rei!

A minha noite cansada
não sabe, nem quer saber,
se a minha angústia é causada
pelo ocaso do viver.

A nostalgia que eu sinto,
distante do que sonhei
faz-se de ecos, eu pressinto,
pelos gritos que não dei!...

gislainecanales@gmail.com


35-MEU GRITO
Glória Marreiros

Deixem-me ser quem sou e nada mais!
Que importa este meu grito de desdém
Quando oiço, agonizante, aqui e além,
O canto trespassado dos meus ais.
 
No pranto das carícias há sinais
De visões doutros sonhos, que também
Alteram esta dor que me sustém
Se o vento me pergunta: Aonde vais?
 
Vou ver essas cascatas que eram puras
E agora são meu charco de amarguras,
Que a vida revirou e pôs do avesso.
 
E sem saber quem sou, o temporal
Leva meu grito inerte, e sem sinal,
Num rio onde o caudal é forte e espesso.

Portugal

36-GRITO !
Maria Olga de Oliveira Lima

Eu grito! Eu grito!
Encho o peito de sonhos!
Acordo na noite e grito também.

Só peço você!
Só quero você, Meu Bem!

Venha me trazer
A noite de Amor
O teu bem querer,
Que por tempo espero
E muito... esperei....

Vem completar
A cama vazia,
Trazer-me alegria!
Vem ser meu Arlequim!

Carnaval está aí...
Mais sonhos chegando...
Amores amando...

Vamos sonhar!Vamos voltar!
Recordar é Viver!!
Fazer florescer todo o Amor
Tatuado em nós,
Realidade maior
Sorriso sem fim...

Fim de paquera! Fim de espera!
Fim de fantasia!!

Deixe-me gritar! Pôr pra fora a euforia
Alegria fluir... no fundo de mim
Também de você.

Hoje... amanhã... semana que vem...
Gritar por teu nome!
E nesta folia

O Mundo Entender

SÓ AMO VOCÊ!!


37-OUVE O GRITO
Muriel Elisa Távora Niess Pokk

Ouve o grito do meu coração
Ele chama pelo amor verdadeiro
Por alguém que me entenda
Que por bobagens não se ofenda
Que se dê a mim por inteiro

Registra em cartório


38- O GRITO
Rute Seubert

Diante de um pronto socorro hospitalar.
 gritos meus não ouviram falar.
Naquele fatídico dia, eles se fundiram,
e com a tamanha dor se perderam.
Quando vou ser eu novamente,
Para ouvir minha consciência.
Será que está a me faltar paciência?
Tenho medo, sinto saudades.
Porque não decifro certas verdades,
ainda enrustidas na humanidade.
Grito para que tenham piedade.
E tragam você de volta para mim.
Só assim esta dor terá fim.
Quantos gritos mais tenho que dar...
para aliviar meu coração.
Desta, triste separação.


39-SURDOS GRITOS
(Susana Custódio)

Afastou-se toda a solidão em mim
Na feliz chegada do teu carinho
Ocupando este sereno jardim
Enlaças-me as flores pl’o caminho

Entretanto instalou-se a mentira
Pressagiei-me entre a espada e a parede
Entre uma e outra dei azo à ira
Enrolada nas malhas da tua rede

Em surdos gritos o coração esfria
Dos teus crimes tenho dor recente
Foram-se os dias de pura alegria

Ferida p’la farsa, sinto a dor da espada
Ordeno-te da minha vida ausente
Já que esta é a sorte em mim ditada

Portugal - Sintra - 22 de Fevereiro de 2011


40-GRITOS DA LÍBIA!
Humberto Rodrigues Neto

Quando um povo, talvez por negros carmas,
vê de um governo a liderança tíbia,
faz do grito inflamado as suas armas,
assim como acontece hoje na Líbia!

Vivendo a mais ferrenha ditadura,
que ali já passa dos quarenta anos,
mira em Kadafi a tétrica figura
do mais cruel de todos os tiranos!

Grita o operário, num clamor aflito;
e a professora, por melhor salário!
E gritam todos, pois a arma é o grito
contra um biltre corrupto e sanguinário!

Numa atitude própria dos malditos
espaventa os beleguins de sua canalha
e faz calar a voz de ordeiros gritos
no pipocar dantesco da metralha!

Que Deus dê um basta ao que acontece lá!
Não mais sangre esta lira o que demonstro
e que recaia a maldição de Alá
sobre a figura horrenda desse monstro!

41-MEU GRITO
Lígia Antunes Leivas

Escrever...
Encarcerar a palavra...
 
Morta no papel,
ela deixa de viver ativamente
na oralidade que a mantém viva.
 
Encarcerada, porém,
a palavra é meu grito:
grito que em silêncio
soa alto dentro de mim!
Um dia haverá
em que ela se sublevará,
bradará... terá eco!
 
- E eu?...
- Eu serei LIVRE!

Pelotas, RS, BR

42 - GRITOS NÃO OUVIDOS
Maria Luiza Bonini

São os gritos não ouvidos
Da urbe tão pobre e tão sofrida
A se confundir com tênues gemidos
Dos mais fracos, marginalizados pela vida

São os gritos não ouvidos
Que me tornam cúmplice, nessa caminhada
Onde escrevo em meus versos doloridos
Da tristeza dos irmãos a viver sem nada

São pelos gritos não ouvidos
Que brado ao mundo pela paz tão desejada
Onde a ganância, impoluta, fez morada

São pelos gritos não ouvidos
Que sofro e continuo a nutrir a esperança
D'um certo dia, vir a ressurgir toda bonança

São Paulo/Brasil

 
43-Um grito ao longe...
Nídia Vargas Potsch
 
 
Cordas vocais adormecidas
por longo tempo
 sob o jugo da tirania...
Nem sabem mais
se expressar a contento.
Mas os olhos, estes sim,
a fitar o longe, as misérias
ocorridas nesse meio tempo,
piscam e se fecham
com verdadeiro asco,
horror reprimido,
esmagado pela violência
das desgraças cometidas...
Onde o ânimo pra reagir?
O enfraquecimento moral
contaminou o pensamento
e o medo bateu a porta
querendo entrar...
Não existe morte dos sonhos
apenas um adormecer temporário,
para que resurjam com maior vigor
com a energia de um renascer das cinzas,
 depois de uma catástrofe...
Será que gritar é o suficiente
ou apenas um desabafo
que preso está na garganta
e se liberou instantaneamente?
Não há como saber...
Mas, é o natural começo de tudo!
 
 
@Mensageir@
Rio, 24/02/2011

44-UM GRITO
Regina Coeli

O que será dos pés em torta via
Sob um azul de céu que ninguém vê;
O que será de cada um porquê
Ignorado e morto à luz do dia?

O que será da Terra, em noite fria
Seu coração chorando um não sei quê,
Enquanto a lua espreita e até descrê
Floresçam flores onde flor havia?...

O sol clareia, e o mundo envolto em treva,
Nem vê que, sobre o mar revolto, estrelas
Piscam num brilho, e a alma, então, se eleva...

As esperanças ergo aos céus, e tê-las
Faz-me de pé, enquanto um grito ceva
O meu sussurro em ais, pra não perdê-las!

Cartas de alforria
Escritos de Regina Coeli

45-GRITO
Roze Alves
 
Travado em minha garganta
Sufoca-me tirando-me o sentido
Forço tua saída, cerras-me a jugular
 
Fostes colocado aí pelo ingrato amor
Coragem faltou-me de revidar o ato
O tirano foi sem para trás olhar
 
Grito bem dado, alma eternamente lavada
 
Grito calado, punhal na alma cravado
 
Amanhecer-M
RJ: 23/02/2011


46-MEU GRITO
Sandra Rahal

Meu grito é pela liberdade
Meu grito é pelo amor
Meu grito é um apelo
Meu grito é para pedir ao homem para pensar,
Em tudo aquilo que fez para a natureza se rebelar
Revolta das águas revoltas
Revolta de cinza no ar
Revolta do fogo queimando
E a tudo eliminado sem nenhum rastros deixar.
Meu grito é contra a guerra
Que de sangue muito já cobriu o chão
Criando rios de lágrimas e partindo o coração ...
Grito em silêncio e grito aos ares
Grito de tristeza e grito por amor
Amor à Deus e à Alah
Para que o homem compreenda
Que sua sede de poder pode a vida
acabar !


47-GRITO
 Yeda Araujo Pereira

Um grito distante ecoa no infinito
na busca incessante de socorro...
para vencer os males da vida...
para vencer os medos da morte...
 
Um grito de dor tangente
atravessa montanhas,
navega rios, 
despenca em ruidosas cachoeiras...
sobe às nuvens e cai como gotas de chuva,
geladas, insistentes,
umedecendo o coração aflito!
 
Um grito de alerta predomina...
sempre...
em meio ao desafio de um ser mortal, apenas!
 

Pelotas/RS/BR


48-JANELA DO GRITO
MÁRIO MATTA E SILVA

Cada noite tem seu cintilar
nas lonjuras da vigilia
há um pássaro que canta
uma mulher em agonia
a desvairar
no ar lívido do tempo
que o tempo devora.
Há o alindar das flores
e a lua cheia encanta
na sua luminosidade
o resto é a verdade
que se sustem
e o soluço que vai e vem
apavorado.
Tudo se revolta no ar
e as estrelas geometrizadas
vão dançando
enquanto a noite se estende
na enfermidade da loucura
onde se suspende o sono
e no abandono
do lamento
 chega-me lento
 o teu olhar
e eu, em fúria de tormentos
abro a janela
onde vou gritar!   
 
PORTUGAL

 

49-MEU GRITO
Antonio Cícero da Silva(Águia)
 
Vivo a muito gritar
Por paz, tranquilidade e amor
Na esperança de melhores dias
Para todo o mundo, com harmonia.
 
Grito com força total
Em busca de melhores dias
E pretendendo ao melhor alcançar
Grito sem jamais me cançar.
 
Grito em favor da paz
Que é riqueza sem igual
Que faz muito bem para a vida
É saúde total para o mundo...