ESCURO DA VIDA
Ferdinando©
 
Choram os ventos ante os magros dias,
Em miséria que grita tristezas na noite
Lascívia doida, em pálidas vertigens
Onde os roseirais choram desfolhados...
 
A noite desce sobre cortinas de medo,
Rasga os sonhos em caminhos de lama
Num hálito de dúvida, feito de rochedos
Onde habita a pequenez dos nossos dias.
 
Nascemos cada vez, sempre que sonhamos
Corados pelo infindo desprezo do tempo,
Que queima sobre o peso das palavras
Ante o negrume dos nossos olhos roxos!
 
Trazes a penúria cansada de fome e amor,
Mar de rochas que falam de sol às gaivotas...
Anónimo horizonte em poeira de séculos,
Como o tempo que nos queima sem arder.
 
Germany 05-07-09