Grito !
Ferdinando©
 
Nas ruas tristes da noite, há gemidos
sobre as águas poluídas da indiferença
que rasgaram a calma ridente dos dias,
traçando rios sem palavras nem gestos,
sobre o amanhã que dizia mensagens.
 
Gritos de corpos caídos, desejos ficados
verdes no tempo, pois tudo se acabou,
numa tumba lisa, com coração crente,
onde o tempo desenhou jardins de auroras...
Hoje sem uma flor, nem uma lápide !
 
Corpos inocentes, que falavam do amanhã,
arremessados para a sombra do esquecimento
ao espanto da noite, no tremer dos ciprestes.
A vida olha agora, cansada de incertezas
sobre o rasgado cenário, de ter errado tanto !
 
Germany 18-02-11