INDECISÃO DO TEMPO
Ferdinando©
 
Já não há noites para pintar estrelas
nem luar pra beijar o rubro dos telhados.
Os olhos dizem mensagens de saudade
do outrora ficado em muda esperança:
- orgasmo fluído em canto e morte.
 
Os profetas falaram de montanhas
num aviso de gritos, em promessas
escondidas na oração de cada anoitecer.
As verdades choram cerradas no
colo da indiferença, no cansaço das horas.
 
Nasce a razão na orla das manhãs,
idílio de rosas nos dias primaveris.
Há lábios feitos de sol que dizem
palavras ficadas na fenda dos dias,
enchendo os desejos do medo.
 
Que os olhos digam mensagens ao sol,
e o luar vá alegre ondular a cama
dos amantes no calor da loucura.
O nevoeiro denso que respira longe
se rasgue em sol moreno noutro mundo.
 
Germany 10-10-09