LÁGRIMA DO POETA
©Ferdinando
 
O poeta chora no ventre das palavras
quando a vida balanceia sem porvir
 horas feitas de granito, como escravas
mundo flamante, sem aparência de existir!
 
Húmidas palavras, rolando emudecidas
caídas sobre ávido papel, onde desfalece
o hálito de promessas incompreendidas,
pálido dialecto... verdade que anoitece!
 
Teu olhar dolente, no afago da verdade
terá a medida exacta da imensa liberdade,
trancar as portas aos indigentes da ilusão!...
 
Trovador, no distante silêncio do Universo!
Embelezas cada dia, a tristeza num só verso...
em pranto que orvalha a origem da razão.
 
Germany 31-05-08