NEGRUME

Ferdinando©

 

Filho do tempo que me muralha ainda

mortalha de silêncio ferindo-me a alma,

haste de espinho quando o dia finda

ironia que magoa a noite calma.

 

Te escondes no poente da maldade

riso que vive no ventre d’uma vala

onde acaba a mentira e a verdade

e o segredo exausto perde a fala!

 

És minha sombra em cada caminhada,

contigo vivi e chorei, em cada estrada

na lentura tristonha do meu espaço...

 

És a herança que a vida me ofereceu

riso de granito, em fogo que venceu

a cansada incerteza do meu passo.

 

Germany 26-02-09