NÓS
Ferdinando©
 
Arrume-se o pedestal que nubla a verdade,
onde o homem veste a palavra de promessas,
e se prostitui, no desejo de ser Rei do Universo!
Há vozes pálidas despidas no tempo calado,
anos de guerras, ante o rubro do nosso sangue.
 
Porque se desenham mitos em pétalas de granito,
onde o riso molda medos que morrem de pasmo?
As promessas murcham, sem o levedar da terra
na selva da nossa fronteira, no pasmo da noite.
 
Que a cinza do passado, faça a fogueira de futuro
esperada sobre o nosso olhar pálido de fome.
Plantemos o pão que saiba a beijos e sorrisos,
outro mar onde as gaivotas vençam as procelas.
 
Que se escreva luz, ante o negrume dos abismos,
que a fome seja um distante passado, que o luar não
chore cobrindo o desnudado, sobre a fria calçada.
Cantemos na voz do Sol, sobre a gelada pedra
para que amanheça a floração da nossa crença.
 
Germany 13-09-09