1-QUERIA SER

2 - PERDURÁVEL

3 - ESSA DANÇA

4 - NA NOITE DO NOSSO JURAMENTO

5 - OS VERSOS QUE TE ESCREVO

6 - MEU RETRATO

7 - IDEALIDADE

8 - A TUA POESIA

9 - OUTROS DIAS

10 - VOZ DA VIDA

11 - SEGREDO

12 - ESSÊNCIA

13 - DECEPÇÃO

14 - REPÚDIO

15 - DEPOIS DOS VERDES ANOS

16 - SUAVIZAR

17 - RECOLHO-ME

18 - TRANSE

19 - DICÇÃO

20 - PESO DA VIDA

21 - PORQUE MORREM OS POETAS

22 - CONCEPÇÃO

23 - A VOZ DA LIBERDADE

24- TEUS LÁBIOS

1-QUERIA SER...
© Ferdinando
 
Queria ser, o florir do sol nos teus dias
feito em manhãs, ornando o teu sorrir!
Ser o despertar do segredo que porfias,
meigo amanhecer, no anseio do porvir!...
 
Serei teu desmedido amor, em cada dia,
no calor que transborda no meu peito,
marginando nos teus sonhos de magia...
rosa branca, como as sedas do teu leito!...
 
Quando a imensidão íngreme se desenhar
ficarei no silêncio da sombra, a caminhar
frémito enleio, no horizonte do teu olhar!...
 
Que sejas o sonho, em cândido esplendor,
como o plácido, desabrochar de uma flor...
corpo fervente, em desejos cor de mar !
 
Germany 20-04-08

2- PERDURÁVEL
© Ferdinando
 
Espero-te no etéreo azul onde habito triste
na mansão do amor, eterno como o tempo...
na laje vazia, que cobre meus ossos frios
 ficam somente, as rosas que lá deixas cada dia.
 
Na beleza da tua alma em gesto de primaveras
em verdura de vida que vivemos outros dias
no palácio de amor, em quatro paredes como asas...
 desejo de sermos o rosto, incendiado de eternidade.
 
Na vala onde semeias os teus prantos, distâncias
de memórias que não morrem, neste finar aparente
 que semeia em mim, colinas de ansiados minutos!
 
 Te aguardo em corpo de nuvens, no azul mais puro
 como as estrelas dos teus olhos, em noite serena
 para a continuação da alma liberta do corpo cansado!

Germany 22-05-07

3 - ESSA DANÇA...
©Ferdinando

Cercando o território do teu corpo entre meus braços
e ligados numa concha de prazer que transforma
o paradigma fervente dos sonhos dispersos, no hálito
da tua paixão transpirando montanhas de beijos.

Em ritmados passos num idílio de dois corações.
O luar trazia a seiva divinal da nossa orientação
em espaços brandos que se tornavam curtos e atrevidos
numa ânsia que fertilizava nossas palavras em segredo.

Em variados volteios, fomos cântico a par das Deusas,
 nos gestos do nosso desejar, ficava a cor do teu sorriso
 num olhar terno que trocava-mos, como donos do Universo!

No tombar do silêncio e já sem luz, continuemos a dança
 inventando uma réstia de sol moldando um desejo furtivo...
até que o soar do velho e magoado piano emudeceu. 

Germany 02.06.07
 
 04. NA NOITE DO NOSSO JURAMENTO  
© Ferdinando
 
Lembras-te amor daquele dia,
Como nos olhamos brilhando de paixão!
Perplexos sorriamos, caminhando frente a frente
Para quatro braços que se abriam em saudade,
Num ansiar que magoava nossos corações
Desaguando neles o desejo que rasgava
A calma triste e já sem brilho que nos devorava...
 
Ho amor !... Se te lembras ainda...
 Nossos lábios se magoaram em beijos febris
Na ânsia de um desejo incontido!...
Meus dedos esguios serpenteavam
 As curvas dos teus seios apetecidos
 
 E nas horas que se faziam mais desejos
Vencidos, nos despimos lentamente sobre o teu leito
Que nos abraçava festejando o nosso querer
Em desmedidas formas como só a loucura sabe!
 
Fomos apaixonados amando num só querer
Num delírio de gritos, e em juras de amor...
Trocamos a delícia dos nossos corpos
Na maior loucura sensual, à hora
Da luz incerta do luar que nos espreitava
 
E assim ante este desejo saciado,
Adormeci na curva do teu peito,
 Cativo pássaro que encontrou seu ninho
Para o futuro do seu amor eterno!

Germany 20-08-06

5-OS VERSOS QUE TE ESCREVO
© Ferdinando

Os versos que escrevo são choros da minha alma
na serra das lágrimas, na estrada da vida.
Versos são pérolas preciosas para guardares,
no sacrário do teu peito onde o amor habita,
num encanto exímio que permanece em ti.

Estes versos feitos de amor e de saudade,
cantados no distante pelas Deusas atrás das dunas,
são vida e desejo, prazer das horas e dos dias...
a brisa mais leve vinda dos infindos longes,
para beijar teu corpo e engravidá-lo de sorrisos....

Os meus versos são o fruto no prado da vida,
certeza de iniciar em ti a manhã de outros anseios
num caminhar abstruso, serei o grito grave
para alindar teus dias de horas mais azedas!
Golpear a sordidez que magoa o teu viver
estradar-te um porto para ancorar teus sonhos!..

Germany 28-10-06
 
06- MEU RETRATO
©Ferdinando

Quando te fito, a saudade se senta a meu lado
e olhamos juntos a sombra do meu Ser
amarelecido pelo tempo, e vencido pelos anos
cavando em mim as rugas que moldam este rosto
numa mágoa, que ficara num esboço evasivo
num clamar de voz enrouquecida pela tormenta
só me fala agora, outra linguagem retractada em ti...

Vejo-me pálido, como o papel que fora outrora
colorido, nos verdes anos tão distantes que recordo
ainda, na saudade da poeira dos tempos que a vida não
alcança nunca mais, na trajectória de discursos mudos...
como o florir primaveril, que só me visitou para seguir
em horizontes de ilusão, e em punho de raiva!

Sou a vida no nascer do outono na fantástica noite
que atraiçoa sem palavras este meu Ser na nudez
que me arremessou na selva de cimento oblíquo...
serpenteando a vida ilusória que atanazou meus dias!...
Sou este retrato em sombra do passado, num tempo
de cinza da fogueira que aqueceu este meu sonho.

Germany 07.12.06

7 - IDEALIDADE
© Ferdinando
 
Como o solar das coloridas rosas no transparecer de sonho,
vestiste-te de ilusões e desejos, para o espaço do meu nome
adornando de sedas, sonhos e emoções, a beleza do teu corpo...
sede de beijos, gritante desejo queimando teus lábios sedosos.
 
Nessa noite vadia de anseios, gerou a tristeza nesse espaço
como a infinidade de dias sem luz, em apetite do meu corpo
sobre alvas sedas no leito que me esperava em olhar distante...
vestida em festim na noite que ficou sempre mais longe nos dias.
 
Expiraram as velas sobre a mesa, e as duas taças de champanhe
que nunca brindaram no enleio das palavras mimadas de beijos,
somente os sonhos ficaram sentados a teu lado...fingida realidade!...
 
Neste Universo imaginário que rasgou teu peito em sorriso árido
ficou a saudade clamando no alto da colina, inerte como a vida
ficando a minha sombra no gemer dos ventos, como Ser fictício!
 
Germany 23-06-07

8-A TUA POESIA
©Ferdinando

Ao receber essa expressão cor de etéreo,
não posso ficar passivo ignorando
que tu poeta amiga vais entrando
na senda transcendente do mistério!

Vê amiga! O teu estro aliciante
esse místico ideal que nos irmana,
a viver como os demais na lida insana
indagando ferozmente o vir distante.

A magia que contenho é também tua,
a mesma dor que me devora e tumultua
também nesse teu peito de arfar profundo...

Te desejo minha amiga com amor,
que a magia que rutila em teu redor...
te presenteie o mais belo neste mundo!!!!

Germany 06.07.07

 9 - OUTROS DIAS
©Ferdinando

Embrulhei meu passado nas horas do presente,
segui atalhos árduos como o tempo!
Nas distâncias de memórias que não morrem
de um navegar errante no ventre dos espaços,
entregue ao vento hostil das minhas esperanças...

A vida atraiçoou minhas memórias sorridas,
adulterou os meus sonhos de haver sol
dando-me o cinzento espaço em que habitei...
onde o amor foi parcela inexistente
como caminhar para o abismo entre brumas.

Espero que o aflorar do novo rumo seja coragem,
numa medusa brotando uma nova existência,
onde o raiar do sol, e o brincar das estrelas
me cheguem como o cantar das ninfas do distante
para esquecer os dias que mendiguei mentiras...
e encontrar-me a sós comigo mesmo!...

Germany 29- 09-06
 
10- VOZ DA VIDA
© Ferdinando

A cintilante manhã acorda a cidade adormecida.
O sol espreita dúbio no horizonte, em olhar sonolento!
Contristado, me encontro no embrulho de olhares frios
em cada rosto feito de apatia como serras de lágrimas,
numa ilusão ininteligível feita de hipocrisias marmóreas.

Suporto no meu peito que chora insistente no magoar
de olhos ternos, olhos de inocentes em delírio como
um majestoso altar de anjos, feitos para penitenciar,
habitando a desilusão na orla de inconfessos olhares.

 Avanço em desvario esbarrando-me em mentirosos muros.
O sol torna-se débil e envergonhado não trazendo
a suavidade do seu calor vencido pela avareza que suja
a vida deixando débeis as forças para caminhar!
Fico frágil diante a continuidade obscura que vence cada dia
a candeia que nunca iluminará as horas mais tristonhas,
enquanto existirem nuvens carregadas de mentiras...

Germany 05.05.07

11 - SEGREDO
© Ferdinando

Gemer dos anos que reclina a vida em reverências
aura de paixão como o jurar que mente lúgubre
nas margens de promessas ficadas na orla do tempo.
Momentos arrancados de mim e plantados em ti
árvores esguias em olhar distante, luz nas tardes lentas.

Dobras do tempo nas páginas dos dias onde ficou
cada palavra semeada em olhares encapelados,
beijos no limiar das sombras num sentir ausente,
juramentos que ferem almas magoadas, justiçando
as cândidas rosas, no alfobre desprezado pela vida!

Segredos ardentes filhos do desejo em cada gesto.
Ditos por não ditos ficados em bocas caladas
escondendo sonhos imaginados que brotam em
peitos amantes, apetência nascida no crepúsculo
acabando em cada aurora feitos em chama louca
despida de verdade, carme semeado sobre rochas

Germany 14.05.07

12 - ESSÊNCIA 
©Ferdinando
 
Vida! Felino e incompreendido cativeiro
enlouquecido folhear de prantos roucos
ontem inebriante luz, hoje irracional holocausto
 silabado de granito em perícia estéril e intrigante.
 
Metafísica exaustiva que semeia ininteligíveis ditos
em escárnio corrupto nas cansadas horas,
precoce leveza feita em gangrenas asquerosas...
transparente amanhecer, que tapeia os dias em ficção!
 
Devasso honorário vencido, dias feitos de inutilidade.
Ardilosas sagas, presságio de visagem que extasia 
em beijos de fera, estilando em gritos avaros impérios
 
Complexo cósmico, insolência de riachos pródigos
sigilo em desejos furtados, vertente feita de mitos
mentira que jura plácidos sonhos em ardilosa fraude!!!
 
 Germany 29.05.07

13- DECEPÇÃO
 © Ferdinando
 
Dias que esvoaçam sobre nuvens de ilusão
em desmedida dimensão do mundo que te agita
numa desumanidade, em sonhos feitos de arminho
onde a beleza te impele sob o fogo que me verga...
que me deixa cruzando o olhar no vazio da vida!
 
Flores de lume que se erguem no fugitivo do teu olhar
onde o aroma me queima de paixão em promessas
de sol, vida que me emudece, e olhar que me acalora
 tenta em marmóreos gestos de margens fechadas, enfeitar
o meu sonho em anseio que se enleia como trepadeira
em minha alma frágil, numa chama de outros desejos...
 
Ofertas-me o rosado dos teu lábios, num brotar de paixão nas
caladas horas da noite, quando o sol desmaia na paisagem
em horas avançadas suprimindo verdades, deixando os sonhos
que aquecem a volúpia que queima a cinza dos dias!...
 Nunca quero ser amante nem amado em teu fascino...
 mera vertigem sem freios, fútil loucura cheia de nadas.
 
Germany 23.03.07

14 - REPÚDIO
© Ferdinando
 
Para que nascem as manhãs em cada dia
no transparecer da luz que gera indiferença
dos perdidos na abjecção que a vida lhes legou
ecos no espaço vago bradando horas de luz.
 
Que vale o ansiar de outro Mundo, novas rotas
se o ditar do flagelo em constante adversidade
ceifa vidas e sonhos que ficam no vago,
defrauda cada infeliz com montes de palavras
em doutrinas vestidas de promessas mentirosas.
 
O nada vagueia aniquilando a vida dos infelizes
arremessados no sombrio, em qualquer canto
num badalar impuro golpeando o ventre da alma
 emporcalhando os dias ditados em calúnia, num
 olhar rasgando sulcos que assusta cada esquina.
 
Germany 25.04.07

15-DEPOIS DOS VERDES ANOS !...
© Ferdinando

Todos iremos cansar-nos e ser velhos...
todos temos o tempo contado!
Dilúvios de ansiedade do passado
patética canção que embala o tempo,
onde o amor foi a única alavanca dos sentidos,
num desejar que medrou horas em fuga.

Vão chorar saudade as pródigas auroras,
num gemido constante que cala o tempo
numa áurea ilusão de outros dias!...
Novas sementes nasceram mais férteis
numa mentira a fervilhar mais louca!
Das nascentes brotaram os medos, enchendo
a saca dos mendigos.

Na lupanar memória dos dias mais trigueiros,
na alma que sonhou asas sideradas
na tela onde se escrevia amor, é hoje lívido cansaço!
Rostos lacrimosos, que a vida correndo abandona,
Cumprindo-se a sina vã duma faceta,
Em fuga desastrada para o fim...

Germany 10-05-06
 
16 - SUAVIZAR
© Ferdinando
 
Silêncio ameaçador em cada aurora no despontar da vida
 vento beluíno que resfria meu dilatado e cansado rosto
 inexactidão para os meus passos vacilantes e indecisos
em forças deprimidas, no ponderar dos meus sentidos.

Caminho na caudal dos dias impuros, em cada rua escura
alimento a força da vida, para os desprotegidos da sorte,
 contorno repelente e sujo, onde existem sonhos lacrimosos
secretos murmúrios, inocentes corpos a desabrochar na vida.

 Nas ciriais candeias do tempo, caminharei infindos rumos
 cinza azul feita em gestos de renúncia, trajectória das sombras...
farei de uma gota de orvalho, fontes cantantes na orla da vida.

Nos prados fecundos cultivarei o pão para o inditoso faminto
e na força débil do meu peito desperto, tentarei edificar a paz
 ficada no delíquio em grito, num espasmo cerrado de bruma.

Germany 04.07.07

17 - RECOLHO-ME
© Ferdinando
 
Emudeço no entardecer pesado das horas
onde a vida se desnuda estática nas eras
e o nada é o gargalhar dos tempos a esmolar
carinho em alicerces débeis... fervente desfaleço
por dentro, na órbita obscura e plangente...
 
Penso na velada dor que toma os meus sentidos
no baixar da noite ampliando o rubro dos meus dias
em fértil suspiro e nesse eco cerrado, em
nevoeiro denso molhando, a saudade de outrora
será sempre a incerteza neste amanhecer introvertido
 
Como suspenso, vagueio na manhã de sempre
na sagacidade, procurando a linha recta para
o mundo exterior que comutou em tempestades
de incertezas, nas manhãs plantadas na fantasia
e ancoradas no porto fictício da minha existência,
onde grita a sombra ilusória que me enlutou a alma!
 
Germany 21.03.07

18 - TRANSE
©Ferdinando

Sou filho das manhãs como áridos caminhos
 mistério ficado celebrando minha velada dor,
estrelas nocturnas que choram comigo
no entardecer das sombras, erguidas nos vales
 bocas secas de beijos, em friorentos lábios.

Vagueio na sombra, no inexistente caminhar
onde tudo sabe a nudez, nos dias feitos de mentira
num turbilhão para além das auroras cegas,
gemendo como o declínio dos astros, e das marés
olhares ficados em horror, como avermelhados lumes.

Sou espaço feito em musgo seco, no prado árido
ficado nos beirais, onde a saudade fica gemendo
maduras noites, despidas de todas as verdades
 madrugadas loucas de paixão, nascidas no tempo...
num abismo que chora magoado como eu.

Germany 23-08-07

19 - DICÇÃO
©Ferdinando

Fria linguagem irreverente nos dizeres silentes
das palavras sem aroma que semeia cada boca
comandada por crânios ornando a teia acidental
numa olência que contorna nossas vidas, semeando
o probo imaturo, num esmerado soletro que nos rege!

Ditame que grita no sigilo onde choram discretos
sonhos reclinados e absortos, no semear dos dias
na inexacta ciência, no estagnar dos nadas éticos
onde trazem razões vencidas por ditos ultrajantes,
sentenciando todo o território onde a alma se defende...

São as palavras que me afogam cada dia, em festim
da irmandade prometida e ficada no vago insensível
em mensagens de promessas inomináveis, na carência
frequente nos dias que alicerçam as mentiras e
difundem a vida sempre, em actividade eufórica!...

 Germany 03.03.07

20-PESO DA VIDA
©Ferdinando

Tudo ficou por detrás da fachada da juventude
nos dias de riso que dela saíam desprendidos.
Dias primaveris, amores febris ficados no passado
loucuras que foram a força geradora da mocidade...

Hoje os dias nascem mais tarde e o sol é vago
nas paredes se perdeu o branco, vestindo outros dias
nas manhãs onde chega a noite, ante os olhos crentes
onde tudo se torna uma estação em árido deserto!...

Quantos anos seguindo em promessas falsas
como verdadeiro sonhador, em suave realidade
onde o vácuo fora palavra intervertida, no cansaço
que percorre o império da alma em forma de tristeza
como negrume que chega, para ficar em muralha surda...

 Restos de vida, sonhos atirados para o esquecimento
despedindo-se das horas de ser, em orvalho de saudade
que caminha para o nada de olhos abertos, como
quem pede à vida contas do espaço onde o coração
 semeou esperança, nascendo a nudez da árida apatia.

Germany 18.03.07


21 - PORQUE MORREM OS POETAS !...
©Ferdinando

Porque morrem os poetas a cada hora,
Quando o sol acaricia mais nossos desejos
De ternura e irmandade...
Porque morrem os poetas,
Quando as ruas ainda cheiram a sangue de punhais!
Onde o limar da vida é ressequido,
E o negrume é ditado a par da fome
Nos dias azedos onde o sol nasce mais tarde!...
Porque morrem os poetas
Quando ainda não levou a liberdade

À haste mas alta da vida!
Porque morrem...
Sem levar uma flor á seara da morte, sem um nome
Sem uma lápide, uma mensagem de amor,
Para lembrar pérolas de sangue,
Do esquecimento inóxio...
A morte que antecedeu aos sonhos!...
Porque morrem os poetas

Se ainda não levou o amor ao mundo inteiro,
Não coloriu a tristeza dos pobrezinhos,
Não deu a luz do sol á escuridão como quem canta amor!...
Morrem os poetas,
Porque a carne limita-nos a todos por igual...
De nada vale a alma ser bandeira,
No mais alto mastro da vida
Onde mora a poesia...

Germany 05-06

22 - CONCEPÇÃO
©Ferdinando

Cantando o silêncio das pedras frias como tempo,
velhas como a impávida vida em inquietação fermente
como algemas de tristeza, poderoso decretar da vida
saudades pungentes vestidas em crepúsculos dias.

Mágoas ficadas nas fendas, em rochas salgadas do mar
gritando horas tristes ouvidas em coro no festim das sagas.
Borboleta vadia que bebe a vaga vertigem no entardecer...
cruzadas madrugadas trementes como solidão dos ermos.

Quantas vezes pousei meu olhar no teu regaço apetecido
essa magia que cobria com tinta azulada o velho papel do
tempo que em clamar atrevido falava em ânsia primitiva.

Mágoas dos dias vividos no amanhecer rasgado das horas...
hoje debruçado sobre angústia, indago ainda sorrisos quentes
perdidos nas manhãs sombrias, asqueroso defraudar do tempo!

Germany 14.05.07


23-A VOZ DA LIBERDADE
©Ferdinando

Longinquamente mais perto
Vibro nadas!..
Os silêncios em diagonal
Ferem-me a alma...
Este instinto leva-me ao tremor
Que sempre habita em mim!
Já colhi os amores que sabiam a pão
De pródigas manhãs...
Vejo charruas libertadas,
Com ecos de espaço na minha mente,
Onde vibram as emoções apáticas aos sentidos!...
Que eu seja a hora germinada
Dos dias em que estes versos,
Tenham a voz da liberdade...

Germany 09-06

 

24 -TEUS LÁBIOS
© Ferdinando

Sou escravo dos teus lábios, fonte que
me mata a sede dos meus beijos ferventes!
Sou ave no calor do ninho e adormecido
em plena primavera num florir que volta sempre
acalentando os nossos sonhos, sopro de
paixão delirante, no purpúreo que me vence.

Somos as gaivotas que partem e voltam sempre,
papoila primaveril na sedução da rubente luz,
vida no canto de mares infindos, nas verdejantes
colinas que em segredo me fascinam em cada noite
protegendo-te no declínio dos dias mais tristes!

Sonho-me eterno na meninice do teu rosto meigo
esse rumor de saudade em escaldante ambição
esculpido anseio, alentado na carícia do teu regaço...
tudo mais o tempo que nos grita numa irredutível
crença, num fulgurar de duas pétalas feitas de cetim,
moldando esses teus lábios rubros cor do meu desejo!!!

Germany 27.04.07