RECLUSÃO

RECLUSÃO
©Ferdinando

És aquela a que a vida plantou atrás de muralhas de pedra
ferida pelos sentimentos que golpearam a beleza do teu ser
sorriso que secou em teus lábios, fértil rubro que em suspiro
trespassava teu peito como setas de fogo, em dor reprimida.

És a Musa encarcerada entregue ao nada, na sombra como
réstia de sol na masmorra fria, sentença da infame mentira
olhar do mundo que te traiu em indolentes vertigens de pedra,
apunhalando-te a alma que sangra horas vividas em delírio...

Vives teus dias por detrás do negrume que estremece o tempo
nos destroços no teu coração, onde gerou a ilusão do beijo casto,
ardilosa fraude num horizonte misterioso em badalar plangente!

O sol no vitral te invade em saudades dos dias felizes em promessas
ilusórias espalhadas pelo vento, resto de amores feitos de angústia
recordação como fantasma, que grita em sequestradas memórias...

Germany 10-06-07