RENAÍTRE
Myrna R.R.P.

Calei-me, e na romaria deste segredo,
Cerrando o espírito fiz-me catedral,
Não tendo, contudo, um absorto vitral,
Que permitisse vir à luz o meu lajedo.

Dormia a vida em meu peito azedo,
E no silêncio, quase eterno, prisional,
A conflagrar o solo de meu umbral,
Pulsou-me a alma, e da morte, o medo.

Senti a vida a encher-me, renascente,
Queimando-me os ossos, corando a pele,
Senti o eterno, o engenho, o existente.

Rogo que a vida ao meu espírito sele,
Para que eu entregue meu canto ardente,
Uma vez mais antes que o peito gele.