ROMEIRO

Ferdinando©

 

Chegam rumores de longe, cavando

Tristes lamentos no coração do tempo.

Romeiro com barbas de fome, e olhos

Que trazem histórias escritas na fronte.

 

A noite caminhou no ventre dos abismos,

As horas se verteram em cansaço. Cortinas

De medo foram janelas para o horizonte

Perdido sobre o olhar do esquecimento

Na agreste ladeira, salgada de Universo!

 

Tinge-se a vida, que nos molda em loucura...

Carne de desejos que se arrasta esquelética

No corpo do último espanto, onde jorra

O nosso sangue, tépido de esperança.

 

No território árido, na selva dos sentidos

Chora o marmóreo infindo sempre mais.

Longe no tempo, não haverá outra verdade,

Que a jornada que nos vai moldar um dia:

-Velhos romeiros no final da caminhada...

 

Germany 12-04-09